PDR – PROJECTO DEMOCRACIA REAL

Políticos Monárquicos no século da república

por FERNANDO MADAÍL22 Agosto 2009

Políticos monárquicos no século da República

Ao colocar a bandeira azul e branca na mesma varanda onde tinha sido hasteada, em 1910, a verde-rubra, o 31 da Armada chamou a atenção para a presença política dos monárquicos

Acreditando que o povo se levantaria em armas para apoiar o regresso ao trono de D. Manuel II, o capitão Paiva Couceiro saiu de Verin em Outubro de 1911, cruzou a fronteira com 1200 homens mal armados, ocupou por pouco tempo Vinhais, onde a bandeira azul e branca esteve umas horas desfraldada, e regressou à Galiza. Confiando que a maioria dos portugueses continua a preferir um Rei a um Presidente, os bloggers do 31 da Armada ficaram atentos às rondas da polícia, agarraram numa escada longa, subiram pela calada da noite à varanda da Câmara Municipal de Lisboa e hastearam a bandeira antiga.

Quase um século separa estes dois momentos simbólicos da luta dos monárquicos em torno da ideia de se restaurar o regime derrubado a 5 de Outubro de 1910. E, apesar de tudo, na I República, no Estado Novo e no regime democrático houve sempre monárquicos com relevante intervenção política.

Ao longo da I República, além dos iniciais “adesivos” (isto é, os monárquicos que se tornaram logo republicanos), houve partidos monárquicos (Causa Monárquica, Acção Realista Portuguesa, Partido Legitimista) e deputados eleitos no parlamento (por exemplo, em 1925 foram votados seis monárquicos para um parlamento com 156 luga- res), ao mesmo tempo que se lançavam movimentos ideológicos tão importantes como o Integralismo Lusitano (onde pontificaria, acima de todos, António Sardinha).

Mas o momento em que o regime tremeu foi no segundo golpe em torno de Paiva Couceiro, o único militar que se tinha oposto com vigor aos revoltosos do 5 de Outubro, a ponto do herói da revolução republicana Machado dos Santos enaltecer essa atitude do adversário. Em 1919, ao contrário das escaramuças de 1911, as hostes realistas conseguiram instaurar, durante um mês, a Monarquia do Norte (também conhecida por Traulitânia), com Junta Governativa do Reino no Porto, e a brevíssima Monarquia de Monsanto, em Lisboa, mas seriam derrotados pelas forças militares e pelos paisanos que queriam combater os talassas (termo depreciativo para designar monárquicos).

O golpe acabaria por ter consequências entre os realistas, com muitos a trocaram a obediência ao exilado D. Manuel, que não terá respondido a esse apelo restauracionista, passando a reconhecer Duarte Nuno de Bragança (neto de D. Miguel I) como o legítimo herdeiro ao trono português.

O imaginário monárquico já tinha sido recuperado em 1918, quando Sidónio Pais instaurou, de facto, a sua ditadura e recuperou o fausto cerimonial do anterior regime, acabando por ser definido por Fernando Pessoa numa imagem que se tornaria a síntese do estadista – o Presidente-Rei.

No 28 de Maio de 1926, o golpe que abriu caminho ao Estado Novo, estiveram envolvidos monárquicos, mas também republicanos e, depois, Salazar soube equilibrar sempre as duas facções. A questão do regime só surgiria, abertamente, em 1951, quando morreu o marechal Carmona e, alegando que ele tinha sido um verdadeiro monarca, Mário de Figueiredo lançava a questão de se restaurar a monarquia – no que seria contestado, entre outros, pelo antigo monárquico Marcelo Caetano. Para se perceber a importância dos políticos monárquicos nesse círculo restrito do poder de então basta referir que Mário de Figueiredo, velho amigo do ditador, era o presidente da Assembleia Nacional e que um dos ministros de simpatias realistas era Santos Costa, que esteve 22 anos no Governo.

A posição de Salazar, que foi suspenso da Faculdade de Direito em Coimbra, em 1919, por activismo monárquico (contrapondo à acusação um texto intitulado A Minha Defesa), nunca foi clara. Apesar de até criar as condições para a família dos pretendentes ao trono ter meios de subsistência e de mandar a Censura cortar textos em que Marcelo Caetano afirmava que não se punha a questão do regime, teve sempre um Presidente da República (embora Óscar Carmona, Craveiro Lopes e Américo Tomás nunca tivessem o seu poder).

Mas é injusta a associação dos monárquicos ao regime fascista. A figura de Salazar conseguiu aquilo que seria impensável décadas antes, quando, em 1938, o próprio Paiva Couceiro entrou em conspirações com republicanos para derrubarem o ditador.

Por outro lado, ligaram-se à oposição várias organizações de adeptos do anterior regime (o Movimento Popular Monárquico, de Gonçalo Ribeiro Teles; a Renovação Portuguesa, de Henrique Barrilaro Rua; a Liga Popular Monárquica, de João Vaz de Serra e Moura), acabando mesmo por surgir, nas eleições de 1969 – na única vez em que se apresentaram três candidaturas oposicionistas – , a Comissão Eleitoral Monárquica, que preconizava a “ideia de um Rei livre”.

Este grupo viria a unir-se na Convergência Monárquica que, logo após o 25 de Abril de 1974, se legalizou como PPM, partido que nunca teria representação parlamentar concorrendo isolado (mas sentou deputados na coligação formal com PSD e CDS e, depois, em acordos pontuais com PS e PSD).

Apesar do princípio republicano ter ficado bem claro na Constituição de 1976, muitos políticos monárquicos foram desempenhando importantes funções na III República. Além do PPM ter participado nas duas primeiras coligações maioritárias que chegaram ao poder (a Aliança Democrática), houve governantes monárquicos que militavam noutros partidos, desde Francisco Sousa Tavares até Paulo Teixeira Pinto.

Mas a questão está sempre na Chefia do Estado. E, uma vez mais, como tinha sucedido em relação a Sidónio Pais e a Óscar Carmona, também Mário Soares foi sendo visto como a encarnação de um soberano apreciado pela Nação – embora não tivesse sido reeleito terceira vez. E o argumento que os defensores da Monarquia mais costumam esgrimir é o facto de nunca ter sido realizado um referendo sobre a questão do regime, no que têm razão. Mas também nunca foram referendados temas tão decisivos como a descolonização das colónias e o fim do império ou a adesão europeia e o fim da moeda nacional.

Fonte: DN Online

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Star Pilots – In the Heat of the Night

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Petição para salvar o Museu dos Coches

A mais importante e valiosa colecção de viaturas reais de todo o mundo está em perigo

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D. Amélia em 1886, um pouco antes do casamento com D. Carlos.
D. Amélia legaria ao Museu dos Coches o Manto Real

O Museu Nacional dos Coches, criado por iniciativa da Rainha D. Amélia de Orléans e Bragança, mulher do Rei D. Carlos I, foi inaugurado no dia 23 de Maio de 1905.
Chamava-se então o Museu dos Coches Reaes e fora instalado, onde hoje se mantém, no Picadeiro Real de Belém, contando já em 1905 com inúmeras peças, desde os antigos carros nobres da Casa Real Portuguesa e seus respectivos acessórios aos fardamentos de gala, arreios de tiro e acessórios de cavalaria, património que até à data se encontrava disperso pelos vários depósitos e cocheiras dos palácios reais.
Em 1910, após a implantação da República, o Museu passou a designar-se por Museu Nacional dos Coches e aos 29 veículos que compunham a sua primeira colecção se somaram outros veículos da Coroa, do Patriarcado de Lisboa e de algumas casas nobres.
Anos mais tarde, em 1985, inaugurou-se em Vila Viçosa, no Paço Ducal, um anexo do Museu de Lisboa que permitiu apresentar ao público outras tantas peças de colecção que já não encontravam espaço em Lisboa. Expõem-se ali um conjunto de viaturas de aparato, carros de campo e de caça utilizados pela Família Real e outras casas nobres.
Hoje o Museu reúne um espólio considerado único no mundo devido à quantidade, mas principalmente à variedade artística das viaturas de aparto dos séculos XVII, XVIII e XIX, razão pela qual o Museu Nacional dos Coches foi desde sempre o museu português mais visitado, contando com cerca de trezentos mil visitantes por ano, nomeadamente estrangeiros que vêm a Portugal e desejam ver a mais importante e valiosa colecção de viaturas reais de todo o mundo

(16 de Março de 2009)

Quote:

A PETIÇÃO

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Exmos. Senhores,

Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva
Presidente da Assembleia da Republica, Dr. Jaime Gama
Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa

O Museu Nacional dos Coches sendo de génese monárquica foi com a República que adquiriu o carácter de organização museológica, transformando-se na instituição fundadora da museologia portuguesa, de carácter nacional e com projecção internacional.

O valor artístico do espaço (antigo Picadeiro Real), a raridade da sua colecção (considerada universalmente como a mais notável no seu género, com especial destaque para os três coches monumentais da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI, construídos em Roma em 1716 e únicos no mundo, bem como o raro exemplar de coche de viagem de Filipe II, construído em Espanha – Século XVI- XVII – e um dos modelos de coche mais antigos de que há conhecimento), e o sistema desenvolvido de exposição desta última, correlacionando-a com imagens e pinturas de época, garantiram-lhe a reputação europeia sem precedentes na história dos museus portugueses e na própria evolução da museologia, através de uma orientação estratégica pioneira pautada por princípios europeus modernos, criando um ambiente de exigência e trabalho de que os próprios republicanos se orgulhavam.

O projecto entretanto surgido para a construção de um novo Museu dos Coches pretende esvaziar o actual edifício e transferir a colecção para um novo espaço a construir, onde se erguem agora as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que serão demolidas. Não pondo em causa a qualidade do projecto de arquitectura, estima-se, no entanto, que este projecto terá um custo actual estimado de 31,5 milhões de euros.

Considerando a actual magnitude internacional do Museu Nacional dos Coches, que é o museu mais visitado de Portugal, muito significativamente por estrangeiros a quem não será indiferente a dignidade e o ambiente do espaço actual de notável valor formal e de antiguidade. Note-se que não é por acaso que em São Petersburgo se optou recentemente pela colocação de um espólio similar no antigo picadeiro real;

Considerando que o actual edifício do Museu, por imperativos técnicos e artísticos (vide, pareceres técnicos de finais dos anos 90), está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre, temendo-se, portanto, caso avance o projecto de novo museu, a sua subutilização;

Considerando que o projecto do novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro ‘terramoto’ de efeito ricochete na museologia nacional, pois implicará a obrigação de deslocar os serviços do antigo IPA (actual IGESPAR) da arqueologia subaquática, do depósito de arqueologia industrial, para a Cordoaria Nacional e, por esta via, uma eventual transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a mesma Cordoaria, que é Monumento Nacional desde 1996 (DL 2/96, DR 56, de 06-03-1996);

Considerando que a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado;

Considerando, portanto, que o projecto em curso se nos afigura completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente (ex. renovação dos outros museus nacionais sedeados em Lisboa, recuperação dos MN em perigo de desclassificação pela UNESCO, qualificação da Cordoaria Nacional, como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa, etc.);

Os abaixo-assinados requerem a Vossas Excelências uma intervenção rápida no sentido de travar o projecto em curso do novo museu dos coches, garantindo assim a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional.

PhotobucketFonte: Portal Somos Portugueses 


O PDR-Projecto Democracia Real junta-se a esta iniciativa para salvar o nosso Património Histórico, neste caso concreto, achamos um crime o que esta Republica irresponsável pretende fazer.

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Caso Deputado Regional do PND

O senhor deputado regional José Manuel Coelho, do Partido Nova Democracia (PND), é já um conhecido na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira por criar desacatos de denegrir a imagem da dita instituição autonómica pelos diversos escândalos que promove, o “caso do relógio”, o “caso da estátua”, e agora o “caso da bandeira nazi”. Antes de esse senhor andar a chamar fascista a um Governo Regional DEMOCRATICAMENTE eleito aconselhava o dito senhor a não abusar a imunidade parlamentar que dispõe e a não se aproveitar desta para fazer falsa propaganda e a manchar o bom nome das instituições autonómicas e dos membros DEMOCRATICAMENTE eleitos que as compõem. 

Fascista deve ser o senhor deputado Coelho , por que para arranjar bandeiras nazis num país que as proíbe por lei a não ser para propósitos educacionais é muito complicado, a não ser que o senhor seja membro de alguma organização ilegal ou ande em sítios da web menos dignos de um deputado que se diz defensor da democracia. Mas os problemas e mentiras e quiçá crimes de difamação criados por este deputado “defensor da democracia”, que certamente não é a minha, devem-se a um único problema: NÃO SABE ARGUMENTAR NEM FAZER FRENTE ÀS PROMESSAS FEITAS AO POVO MADEIRENSE PELO PDS-M E PELO DR. ALBERTO JOÃO JARDIM. Deixe de fazer figuaras tristes senhor deputado, suba o nível ou então interne-se num manicómio porque a imunidade parlamentar não dura sempre e coisa que o Povo Madeirense não gosta é que difamem o Dr. Alberto João Jardim, pois quanto mais o fizer menos votos o senhor vai ter.

E mais uma coisa, inveja do sucesso dos outros é coisa muito feia, quanto às ameaças de morte se calhar anda a ouvir vozes dentro da sua cabeças, pois se o Dr. Jardim fosse fascista este já tinha ido para o “olho da rua” pois afinal em Portgual ainda somos uma democracia.

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Lembram-se do Martunis?

A cantora Franco-Canadiana, Céline Dion encontrou-se com o nosso Herói Indonésio vestido a rigor para a fotografia.

Martunis é um milagre: uma equipa de televisão britânica encontrou-o numa praia de Sumatra 19 dias depois do tsunami ter afectado a Indonésia. Contou que durante três semanas, ia comendo o que ia encontrando. Para beber ia a charcos com água. Nunca durante esta terrível prova ele deixou a sua camisola de futebol, com o número 7 da selecção portuguesa. Foi depois de ter sido encontrado cheio de picadelas de mosquitos e muito magro que ficou a saber que tinha perdido a sua mãe e os seus irmãos.

 

Vejam o seguinte vídeo para verem o que este miúdo sofreu:

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Nota Administrativa sobre os Comentários

Caríssimos,

Ao contrário do que acontecia no FDR, nós aqui temos controlo efectivo sobre os comentários dirigidos ao nosso Blogue.

Contudo, que fique claro que só serão aceites comentários relativos aos temas expostos, pelo que é escusado fazer-se comentários despropositados e sem nexo relativamente a este espaço se é ou não do agrado de fulano A, B ou C.

Este Design foi escolhido por ser um design sóbrio, moderno e virado para o futuro. A Estrutura organizacional do Blogue foi definida como sendo a que faz mais sentido.

Nem toda a gente é obrigada a gostar. Mas isso é  algo que a Administração, nem está preocupada, porque senão estariamos diariamente a mudar tudo e ao contrário do que se passava no FDR, aqui prezamos a estabilidade funcional e de design, pelo que, mais uma vez, não nos interessa saber se agrada ou não a quem nos visita.

Convidamos é as pessoas a comentarem, isso sim, os vários artigos já expostos.

Comentários impróprios não serão aceites e serão considerados spam, o mesmo relativamente a tentativas de procurar distúrbio onde não deve existir, nomeadamente, com alegações de “censura”; o que é falso. Nós aceitaremos comentários relativos aos posts aqui colocados. Penso ter sido bastante claro!

David Garcia,

Administrador do PDR.

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