PDR – PROJECTO DEMOCRACIA REAL

Vasco Pulido Valente “enterra” o regime republicano em entrevista ao CM

Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:

«Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.»

«Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República!»

Vasco Valente Correia Guedes, conhecido por Vasco Pulido Valente, nasceu em Lisboa no dia 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa e doutorou-se em História em Oxford. Historiador, ensaísta, escritor e comentador político, lança nesta semana mais um livro sobre a história de Portugal.

(13 de maio de 2009)

Vasco Pulido Valente “enterra” o Centenário da República

Vasco Pulido Valente e o “regime terrorista” ouvir aqui :

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Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:

ARF – Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?

VPV –

ARF – E porque é que se comemoram os 100 anos?

VPV – Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.

ARF – Coreia do Norte e outros.

VPV – Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.

ARF – Vai participar nessas comemorações, já foi contactado?

VPV – Não.

ARF – Não foi porque tem essas opiniões?

VPV – Não.

ARF – Não convém às comemorações dos 100 anos?

VPV – Não sei se convém ou não convém. Mas compreendo que pessoas que queiram comemorar não me queiram. Mas houve uma senhora deputada que me veio falar em nome do senhor presidente da Assembleia da República. E eu expliquei à senhora deputada que já não tinha idade para receber recados por interposta pessoa do doutor Jaime Gama, que eu conheço desde os 18 anos. Portanto, se o doutor Jaime Gama me quiser falar não tinha mais que agarrar num telefone e telefonar-me. Não telefonou mais. E foi o único contacto que eu tive. Lembrei-me agora.

LC – Na sua opinião não devia haver comemorações?

VPV – Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.

ARF – Exactamente.

- Não é um período particularmente brilhante na nossa história e acho bem que não me convidem. É uma coisa que obviamente não estou na disposição de comemorar.

ARF – A propósito disso, a revolução do 28 de Maio de 1926 não nasceu do nada. Havia pessoas concretas e interesses concretos que fizeram esse golpe.

- Eu não gosto muito dessa linguagem dos interesses. O problema que se pôs à República é o problema que se põe a todos os movimentos revolucionários. É que os movimentos revolucionários ou mantêm a sua parte revolucionária, isto é, a sua parte terrorista e não conseguem governar, suscitam uma resistência contínua e não conseguem governar, ou então põem na ordem os seus próprios terroristas, os grupos que os apoiam, e são imediatamente submergidos pelas forças conservadoras. O velho dilema entre fazer a revolução e governar pôs-se para a República. E a partir de 1923, 1924 a República, depois de ter chegado ao cúmulo da anarquia, tentou fazer um caminho para a estabilidade e fortalecer a parte de Governo. Para isso apoiou-se em quem? Apoiou-se no Exército e quando o Exército se viu com o poder todo nas mãos evidentemente liquidou a República.

ARF – E vem Salazar na sequência disso.

- E acontece Salazar na sequência disso.

ARF – E Salazar manteve uma ditadura.

- O Salazar viveu numa ditadura militar. Sem o Exército não teria governado.

LC – Vamos dar um salto de 50 anos. Diz que o 25 de Abril não foi uma revolução e que acabou por não transformar a sociedade portuguesa.

- Não foi uma revolução. As pessoas apareceram nas ruas. Não havia movimentos sociais que impusessem o 25 de Abril. O 25 de Abril começou por ser um movimento corporativo, cresceu como movimento corporativo e só depois de ter ganho é que apareceram movimentos sociais, alguns espontâneos, outros nada espontâneos. A satisfação, o entusiasmo pelo fim da ditadura foi espontâneo, daí em diante tinha de analisar cuidadosamente o que foi espontâneo do que foi organizado. Mas não havia nenhum movimento social prévio, a não ser na imaginação de alguns esquerdistas e talvez do PCP, que impusesse o 25 de Abril.

LC – Havia uma oposição organizada.

- As pessoas em Portugal naquela altura não queriam fazer uma revolução. Queriam ir para França ou para a Alemanha. É preciso perceber isso. Não haviam nenhumas condições revolucionárias. As pessoas não queriam fazer uma revolução, não queriam vir para a rua, não queriam nacionalizar nada, não queriam ocupar terras nenhumas. Queriam pegar na mítica mala de cartão e ir para França onde ganhavam mais e melhor. Estavam fartas de miséria, não queriam distribuir miséria nenhuma, não queriam colectivizar a miséria portuguesa. Queriam ir-se embora.

ARF – Isso foi um sonho falhado do PCP, que imaginou que ia fazer em Portugal uma revolução.

- O PCP tinha o seu programa de colectivizar a miséria que o doutor Cunhal aplicou com uma cegueira absoluta.

ARF – Porque não conhecia Portugal?

- Não conhecia Portugal, não estava há muito tempo em Portugal e antes tinha estado preso em Caxias, ainda por cima grande parte dessa prisão em isolamento. Mas não conheceu em Portugal, não fazia a menor ideia. Por isso é que ele se conservou tão puro, tão intransigente, tão…

ARF – Dogmático?

- Tão hostil ao eurocomunismo, ao Carrilho e aos italianos. Começaram a perceber que aquelas receitas já não se podiam aplicar a sociedades tão complexas. Por um lado o Cunhal não tinha a experiência dessa complexidade e por outro lado Portugal era de facto uma sociedade muito mais atrasada do que a sociedade francesa, espanhola, mesmo a espanhola, ou italiana. De maneira que o doutor Cunhal convenceu-se que o movimentarismo das ideias dele era equivalente, era um bom reflexo do movimentarismo da sociedade portuguesa.

ARF – Mário Soares foi o grande homem destes anos depois de 1974?

- Foi o homem que percebeu que para haver uma modernização, ou seja, uma compatibilização de Portugal com a Europa, era preciso democracia. Acabar com o império e era preciso democracia.

ARF – Sá Carneiro não foi também importante nesse processo?

- Sá Carneiro não conduziu esse processo e Sá Carneiro não percebeu esse processo a tempo. E que esse processo para ter sucesso era preciso que estivesse associado a forças políticas na Europa. Que as forças políticas internas que havia a favor da democracia eram fracas. Os militares nunca foram grandes democratas nem por vocação nem por educação, o País estava longe de ser democrata, tinha da democracia a ideia mais vaga, havia um PCP relativamente forte, as forças de direita estavam desacreditadas e era preciso que houvesse uma força democrática capaz de impor a democracia. E que essa força democrática tinha de ser uma força ligada às forças democráticas europeias. A esquerda em Portugal, antes de 25 de Abril, discutia a teologia do marxismo. Até o doutor Álvaro Cunhal discutia a teologia do marxismo. Não se discutia Portugal. Discutia-se se os loucos pequenos burgueses tinham fachada socialista ou não tinham, se o PCP era de facto um partido marxista-leninista ou não era, quem era quem, quem eram os autênticos marxistas-leninistas, os verdadeiros revolucionários. Era isso que se discutia há anos. Enquanto essas pessoas andaram aí a discutir estas coisas tão importantes, o doutor Mário Soares foi à Internacional Socialista e fez um Partido Socialista com cabeça, tronco e membros. E apareceu com o PS e isso é que alterou tudo. Além do comportamento exemplar que teve no processo. Exemplar, inteligente e de um enorme talento, ia mesmo dizer génio, estratégico. Mas ele começou muito antes, ele viu o problema muito antes, não veio aqui e improvisou aquelas coisas.

LC – Disse que se estivesse no lugar de José Sócrates se demitia, que não teria condições para ocupar o cargo. Acha que José Sócrates não tem condições?

- A premissa está errada. Se eu estivesse, eu nunca estaria no lugar de José Sócrates. Isso é uma coisa de imaginação, chamada de imaginação histórica. Mas contando que é um acto de imaginação histórica eu, de facto, se estivesse no lugar de José Sócrates preferia perder as eleições e ir para casa.

LC – Mas porquê?

- Porque ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora.

ARF – Exacto.

- Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou.

LC – Considera a maioria absoluta essencial para o País? Prevê um período de instabilidade se o PS não tiver maioria absoluta?

- Eu não prevejo, eu suspeito que o PS não vai ter maioria absoluta.

LC – Isso é um problema?

- Pode ser que seja um problema, mas não considero que seja um drama. A gente não pode estar a voltar ao partido único com duas cabeças, bicéfalo, o PSD e PS, para a necessidade que agora se está a querer fazer passar de que é preciso uma maioria. Ou seja, nós só podemos viver com partido único. No fundo, o que nos estão a dizer é que nós só podemos viver com um partido único.

ARF – Só somos viáveis com um partido único.

- Portugal só é viável com um partido único. Eu recuso-me a aceitar isso.

LC – Encontra alguma possibilidade, ou haja que é desejável, de alianças no próximo mandato?

- Eu não sei, não sou político, falta-me muita informação sobre o estado do País. Também falta aos políticos, é verdade que sim, mas eles têm maneiras de as arranjar mais facilmente do que eu. Falta-me informação sobre o estado do País, falta-me informação sobre o estado dos partidos, que eles com certeza têm. E só com essa informação é que eu poderia dizer que certas alianças são ou não possíveis.

LC – No caso do PS, historicamente, a coisa não tem resultado bem.

- Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso.

fonte:
http://www.correiodamanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229&contentid=3B59DE73-9021-4FB3-B470-50FC2DDD4B3E

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ENTREVISTA A HERNÂNI CARVALHO

uphoto-de225465HERNÂNI CARVALHO é o meu Entrevistado, depois de termos entrevistado há uns mêses Paulo Teixeira-Pinto, Presidente da Causa Real, O JORNAL, volta às Entrevistas. Hernâni Carvalho é um dos jornalistas portugueses mais premiados. Esteve na Bósnia, debaixo de fogo, em Timor, cuja experiência lhe valeu a escrita de um livro, e mais recentemente, esteve no Afeganistão. Arriscou várias vezes a vida, chegando por vezes a sítios onde mais nenhum jornalista conseguia chegar. Hoje participa semanalmente no programa da TVI “Você na TV”, na rúbrica CRIME DIZ ELE.

1- Estando Portugal perto de completar 865 anos de existência, no próximo 5 de Outubro, pergunto-lhe o que é para si, em pleno século XXI, ser Português?

É pouco mais do que esperança. É tudo quanto nos resta. Muitos calam-se, os bons partem e os mediocres continuam a governar e a decidir. Culpa de todos nós, é claro.

2- Que análise faz às 3 Republicas Portuguesas, tendo em conta que também no próximo dia 5 de Outubro, serão as comemorações dos 98 anos da Proclamação da Republica?

A primeira foi a vingança dos miseráveis. A monarquia liberal tinha muito mais representatividade, por exemplo no parlamento, que a primeira Republica teve. Veja-se, nesses dias, quem perdeu direito de voto e quantos. A própria ideia de imperio nasce por essa altura.  A segunda fechou-nos e isolou-nos à modernidade e ao desenvolvimento. A terceira prometeu, prometeu, mas os homens do Maio de 68, chegados ao governo são um flop. Em toda a Europa.

3- Para si, o que é mais importante? Celebrar a Fundação do País ou a Republica? O que é que para si deveria unir mais os Portugueses?

Importante é celebrar Portugal. O que nos devia unir é a globalização. Estamos a ser despidos das tradições que nos fizeram crescer. Estamos a ser normalizados

4- Faz sentido, hoje, em pleno século XXI, ser-se Monárquico e defender-se este ideal?

Faz hoje mais do que nunca!

5-      Procurando, eu, sempre que posso, ver a sua rúbrica na TVI “Crime diz ele”, que comentário faz ao nosso sistema de Justiça?

Quando ocorreu o 25 de Abril de 74, oito por cento dos portugueses sabia que aquele edifício estava podre e vivia da impossibilidade de o povo ter direito à Justiça. Hoje sabem-no provavelmente oitenta e oito por cento dos portugueses. A miséria é maior agora. A título de exemplo, por aqueles dias de 74, os juízes fascistas que presidiram a tribunais plenários onde o direito a liquidar uma pessoa era quase pleno, foram administrativamente reciclados em vinte e quatro horas. A 26 de Abril desse mesmo ano, os mesmo juízes foram reciclados administrativamente e transformados em exemplares e democratas cidadãos e de novo colocados no pedestal a decidir a vida das pessoas que pedem justiça. Temos leis a mais e eficácia quase nula.

6- É apologista da Prisão Perpétua?

Sou apologista de penas eficazes e, sem pudor, assumo que uma pena deve ser um castigo e não uma reinserção, ao contrário do que defendem os modernistas da filosofia do direito. Isso não existe nem no eden. As raras excepções não dependeram do sistema. Falar em reinserção na prisão é ser calvinista e hipócrita, mas reconheço que é politicamente mais correcto. A prisão definitiva (com execepção de alguns casos – não encontro outra pena para quem, sendo dado como imputável, viola estripa e mata pessoas em série…) parece-me um risco  numa sociedade democratica.

7- Que análise geral faz ao actual sistema político português?

É um logro. Desde logo pela base. O presidente da assembleia municipal não é votado pelo povo, como se faz crer nas campanhas, mas sim pelos eleitos nessa assembleia. E esta, em si, é outro logro pois os presidentes de junta de freguesia eleitos votam a escolha do presidente da assembleia municipal. Reconheço que os presidentes de Junta devam ter direito a expressar problemas e matérias na Assembleia Municipal mas sou contra terem direito a voto. Defendo que os municipios devem ser geridos pelos vereadores eleitos na lista vencedora. Defendo os circulos uninominais no parlamento nacional

8- Como comenta o Tratado de Lisboa? Vê nele benefícios para Portugal? Se sim, quais? Não será antes o pronunciamento do príncipio do fim de Portugal como Estado Soberano, nomeadamente relativamente à perda das águas territoriais?

Um país onde o ministro das Finanças decreta o fim da crise e outro afirma haver um deserto na margem sul, não carece de apresentações. Nesse país tudo é possível. Os medíocres escolhem sempre mediocres.

9- Faz sentido, um homem com cadastro, como Aquilino Ribeiro, no Panteão Nacional?

Julgar a História é arriscado. A estátua mais alta de Lisboa é a do Marquês de Pombal… Há outras matérias mais preocupantes. Mas percebo a questão.

10- Acredita que a Monarquia Parlamentar e Democrática poderá ser uma realidade a médio prazo? Não. Tenho pena, mas não acredito.

11- Que opinião tem do “boom” de sites de informação monárquica que se foram formando até há bem pouco tempo?

Espero para ver. É cedo. Tenho esperança de que não se transformem na defesa das capelinhas miseráveis que tenho visto ocorrer noutros registos…

12- Já tinha conhecimento do PDR-Projecto Democracia Real? Que opinião tem sobre este aumento do interesse pela Monarquia em Portugal? Acredita que os Portugueses podem ver a Monarquia como uma esperança se os monárquicos conseguirem passar a mensagem?

São muitas perguntas numa só. Não conheço o PDR nem acredito nesse “aumento do interesse pela Monarquia em Portugal”, que refere. Não o vislumbro nem o ouço no dia a dia das pessoas com quem falo ou das que observo. Ademais, “se os monárquicos conseguirem passar a mensagem” é um problema com noventa anos.

13- Como analisa a situação em Timor-Lorosae?

O estado Timorense não tem essa designação.  Está a viver as naturais dores de crescimento. Mas sobre o neo-colonialismo australiano e os escandolosos privilégios dos funcionários da ONU  em Timor, denunciei-os em 1999 e 2000 e chamaram-me incendiário.

14- Considera que a CPLP pode fazer mais do que tem feito, podendo, por exemplo, criar uma “Confederação Lusofona”?

No domínio das ideias é possível… mas já se provou que impraticável.

15- Que Portugal deseja para o futuro?

O que desejo não é o que prevejo. Desejo um país onde a Justiça não seja um sonho. Onde os pobres também tenham acesso e direito a ela. Onde ela, a Justiça, seja de facto o fiel da balança dos outros dois pilares – Parlamento e Governo. Onde o mais alto magistrado da nação não seja símbolo a prazo, como qualquer contratado a recibos verdes. Onde os homens pensem e projectem o país no real interesse da nação e não no interesse da camarilha a que pertencem. Mas repito: O que desejo, pena minha, não é o que prevejo.

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Mensagem de SAR Dom Duarte de Bragança, 1 de Dezembro de 2008

31427868_fe2284Portugueses!

No 1º de Dezembro de 1640, os nossos antepassados devolveram Portugal aos Portugueses. Souberam responder à crise do seu tempo, lutando pela nossa independência. Hoje, olhamos para o nosso país, e vemos que se acentua a dependência externa e a obediência a directivas quantas vezes alheias à nossa própria vontade.

Anunciam-se dias difíceis. Parece evidente que 2009 será pior que os já duros anos recentes, particularmente para os mais desfavorecidos. É nos momentos de provação que se testa a alma de um povo. Para enfrentar a crise e manter a coesão social devemos invocar os valores espirituais da nossa cultura e vivermos em coerência com a nossa identidade e tradição. O reforço dos laços familiares, o sentido de comunidade e de povo são atitudes urgentes e decisivas em alturas como esta.

Enfrentámos muitos problemas terríveis ao longo da nossa História, que o nosso ânimo conseguiu ultrapassar. E daqui apelo aos instintos de iniciativa e solidariedade, de generosidade e de engenho.

É preciso ampliar a visão, ensaiar ousadia, e confiar a nós mesmos a garantia de desenvolvimento sustentado.

Vivemos uma ocasião propícia para rever as nossas prioridades. Devemos aprender a viver melhor consumindo menos, poupando os recursos limitados do nosso planeta. Para isso é importante apoiar a acção pedagógica de cientistas e organizações ambientalistas. Somos o país europeu com a menor percentagem de filiados nestes movimentos, que mereciam mais representação parlamentar.

A hora é de investir no povo português. As grandes opções para o nosso desenvolvimento têm agora uma oportunidade única para alterarem o rumo. Em vez de se deixar bloquear por falta de critérios técnicos ou por pressões de interesses, o Estado, o sector privado e as associações devem dar as mãos para ultrapassarmos as dificuldades. Queremos medidas mais justas e mais equitativas, e não apenas declarações que chegam tantas vezes tarde demais…

Como disse, a hora é de investir no povo português. É o que têm feito as famílias portuguesas que, com muito sacrifício, apostam na educação dos seus filhos. A qualificação dos jovens é indispensável e os movimentos de professores e de pais clamam por melhor Escola, em programas de ensino adequados, e pela dignificação e respeito pela missão dos professores.

A hora é de investir na terra portuguesa. É o que têm feito os agricultores que se recusam a abandonar a terra, contrariando as directivas desencontradas e a concorrência desleal por parte de outros países onde são muito mais apoiados. Portugal não precisa apenas de uma política de comércio livre; precisa sobretudo de uma política de comércio inteligente e justo.

Os nossos agricultores sabem produzir. Falta que saibam melhor associar-se e cooperar para distribuir os seus produtos directamente aos consumidores. Nos últimos dez anos perdemos 180 mil hectares de boas terras agrícolas comprometendo gravemente a nossa capacidade de produção de alimentos, acentuando a nossa vulnerabilidade. Ainda recentemente experimentamos os perigos que daí podem advir.

A hora é de investir no território português apoiando empresas inovadoras que recorram a energias alternativas.

Simultaneamente devemos combater os desperdícios energéticos e dar prioridade a transportes ferroviários e marítimos, como alternativas competitivas. A capacidade de auto-sustentação no plano energético é cada vez mais necessária. Por exemplo, modernizando as barragens hidroeléctricas já existentes, aumentaríamos a produção de energia em 20%.

O Estado deve promover e praticar uma política de gestão rigorosa dos seus recursos de modo a promover a nossa competitividade; deve ter um orçamento equilibrado para poder baixar os impostos de modo selectivo.

O Estado deve desistir das obras faraónicas, aumentar a produtividade da função pública, encorajar os investimentos privados que produzam riqueza, preferindo sempre bens e serviços produzidos em Portugal. Por exemplo, o facto dos fundos da Segurança Social não serem investidos exclusivamente em empresas portuguesas, contribui para a descapitalização nacional e para o desemprego.

Apelo aos partidos políticos para que não se deixem tornar em meros mecanismos de conquista do poder; que se lembrem que têm um papel decisivo nos debates sobre as doutrinas e as práticas políticas. Mas para isso, devem ser uma escola da cidadania, dialogando com as organizações não governamentais.

Este sentimento geral de que a democracia deve ser melhorada entre nós, levou-me a apoiar o recém-criado Instituto da Democracia Portuguesa, que tem já desenvolvido múltiplas e úteis actividades em várias regiões do país, em colaboração com diversas organizações e com as autarquias locais.

Em 1975 recuperámos as liberdades de expressão e de participação política que já existiam antes da revolução de 1910. Mas cada vez mais ouço especialistas e pessoas de bom senso a dizer: Portugal atrasou-se no séc. XX porque prescindiu do poder moderador do seu Rei, ao contrário de Espanha, Inglaterra e Bélgica, e outros países europeus, que prosseguiram na vanguarda do desenvolvimento.

Tenho percorrido o país de lés a lés. Sou sempre cordialmente acolhido pelos autarcas e pelas populações às quais agradeço o carinho que me dispensam. Nessas ocasiões, apercebo-me da grandeza do nosso património cultural, erudito e popular. Basta apreciar as nossas tradições culturais para me dar conta de como se formou a gente portuguesa, nas várias regiões em que se expressa a alma nacional. É este “produto interno bruto” que mantém em alta a bolsa de valores humanos em que nós devemos investir.

Quero aqui lembrar as numerosas homenagens a D. Carlos promovidas por várias Câmaras Municipais, com destaque para a ocasião em que o Chefe do Estado inaugurou a magnífica estátua erigida em Cascais.

Durante todo este ano tiveram lugar inúmeros eventos de carácter cultural em homenagem ao Rei e ao Príncipe Dom Luís Filipe, organizados pela Comissão D. Carlos 100 Anos, integrada na Fundação D. Manuel II. Salientou-se o congresso “Os Mares da Lusofonia” que reuniu representantes de todos os países que falam português. Pelo interesse suscitado, foi lançado o desafio de a realizar cada dois anos, em países diferentes.

Continuei este ano a colaborar com vários dos países nossos irmãos, especialmente a Guiné-Bissau, Angola e Timor, mediante programas de desenvolvimento rural e protecção ambiental.

Aproveito para saudar o Primeiro Ministro Xanana Gusmão, actualmente de visita a Portugal, como líder que soube conduzir o heróico Povo timorense na luta pela liberdade e agora o serve com seriedade e competência no caminho do progresso material e espiritual.

Saúdo o alargamento da CPLP esperando que em breve, Marrocos, o Senegal, as Ilhas Maurícias, a Guiné Equatorial e os nossos irmãos galegos possam fazer parte dessa comunidade. A Galiza procura afirmar a sua identidade cultural através da sua “fala”, que está na origem do português moderno.

Tive a alegria de levar a minha Família ao país de minha Mãe, trineta do primeiro Imperador, Dom Pedro, para participar nas celebrações dos 200 anos da transferência do Governo e do Rei para o Brasil. Finalmente foi feita justiça ao tão caluniado D. João VI!

A crescente importância económica e política do Brasil no Mundo é um motivo de orgulho e de oportunidade histórica para Portugal. Felicito os nossos governantes por a saberem aproveitar.

Deixo para o fim a instituição militar que, desde a fundação de Portugal tem estado intimamente ligada ao nosso percurso colectivo. Hoje, defendendo Portugal “lá fora”, tem contribuído de forma impar para o prestígio e afirmação nacionais e para a paz e a segurança da população portuguesa e das regiões em que tem operado.

A canonização, em 2009, de D. Nuno Álvares Pereira, patrono das Forças Armadas, será uma providencial ocasião para aprendermos com os seus exemplos de valentia e caridade, inteligência militar e política, e defesa intransigente da nossa liberdade e independência. Saibamos aproveitar essa oportunidade!

Do fundo da história vem uma certeza que os monges de Alcobaça redigiram numa das mais belas frases da monarquia portuguesa: “O rei é livre e nós somos livres!”.

Neste convento do Beato, situado na Lisboa Oriental onde se começou a conspirar para o 1º de Dezembro, deixai-me hoje proclamar: “Eu sou livre e vós sois livres!”. “Eu sou livre” e “Vós sois livres” porque ser monárquico é também defender Portugal acima de todos os interesses. Juntos poderemos renovar a democracia portuguesa pela Instituição Real que só poderá vigorar por vontade do povo, com o povo e enquanto o povo o entender.

A minha Mulher, eu, e os nossos filhos Afonso, Maria Francisca e Dinis, a isso nos comprometemos porque Portugal pode, Portugal deve, e Portugal quer continuar democrático e independente!

Todos os que pensarem que o sonho dos fundadores e dos restauradores ainda está vivo, venham ter connosco; e se alguém questionar este crescente sentir do poder do povo, a resposta é hoje, como o foi no primeiro 1º de Dezembro: “O rei é livre e nós somos livres!”

Convento do Beato, 30 de Novembro de 2008

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Relembrar a História é preciso! Tratado de Lisboa e a Soberania!

Quando se ouve os nossos Governantes todos contentes com a assinatura e ratificação do Tratado de Lisboa, é de dar um arrepio enorme na espinha de qualquer Português que se preze!

Vamos olhar um pouco para o passado, porque o que se está a passar hoje, também sucedeu em 1580, quando Portugal perdeu a sua Independência e só a resgatou 60 anos depois!

Os sinais da época falam por si. Dom Sebastião morreu na Batalha de Alcácer Quibir, em 1578. Sucedeu-lhe o seu tio-avô, o Cardeal-Rei Dom Henrique que reuniu as Cortes em Almeirim para tratar de resolver a questão da sucessão. A verdade é que a Sucessão nunca foi decidida nessas Cortes e entretanto o Cardeal-Rei morre, dois anos depois de subir ao Trono e o Rei de Espanha, ambicioso, e que tinha bem pago à maioria da nobreza portuguesa da época e algum clero para que Portugal fosse regido pelo monarca do Reino vizinho, este manda o Duque de Alba, invadir Portugal. O unico resistente, que jamais aceitou se subjugar à tirania estrangeira foi o Rei Dom António Prior do Crato, que, de facto, foi Aclamado Rei em Santarém e que durante 3 anos ainda resistiu ao domínio Espanhol, apesar de ter perdido na Batalha de Alcântara contra o Duque de Alba e se ter refugiado na Ilha Terceira, tendo depois partido para França onde já tinha preparada uma nova expedição quando entretanto morreu, sem conseguir salvar Portugal.

O que se falou naquela época é que devido ao desastre que foi Alcácer Quibir, e à decadência do Império Português no Oriente, a Prata sul Americana iria dar um novo alento a Portugal. Só que, obviamente, mesmo que Filipe II de Espanha, I de Portugal tivesse Jurado manter a integridade do Reino e os costumes, a língua e a moeda, a verdade é que os inimigos de Espanha passaram a ser os inimigos de Portugal, e portanto muitas carreiras da Índia foram assaltadas por piratas franceses, ingleses, holandeses e quando Filipe II perde com a sua “Armada Invencivel” a Batalha do Canal da Mancha, cujo objectivo era invadir a Inglaterra da Protestante Isabel I, abriu caminho para que Portugal e Espanha tivessem novos concorrentes nos mares, criando entrepostos comerciais e invadindo e atacando os nossos entrepostos comerciais em África, no Brasil – os Holandeses ocuparam durante algum tempo Pernambuco- e claro a instalações de entrepostos comerciais ingleses, franceses e holandeses na Índia e no extremo-oriente.

Esta situação levou obviamente a um grande descontentamento que teve o seu auge já durante a Guerra dos 30 anos e sobretudo com a Revolta da Catalunha em que o Governo de Madrid queria tropas Portuguesas para conter a rebelião naquela região. Foi a gota de água, depois do Conde-Duque de Olivares já ter querido transformar Portugal numa província de Espanha, tendo inclusivé eliminado o Conselho de Portugal que existia em Madrid, e ter aumentado os impostos para suster a guerra que a Espanha estava a travar na Europa.

Sendo assim, os Conjurados, um grupo de nobres patriotas Portugueses, pediram ao Duque de Bragança, Dom João II, para que aceitasse a Coroa dos seus antepassados, os Reis de Portugal. E assim foi. A 1 de Dezembro de 1640 o poder Espanhol em Portugal cai e a 15 de Dezembro, o novo Rei de Portugal, Dom João IV é aclamado em Lisboa.

Mas voltando ao que nos interessa neste artigo. As maravilhas do Tratado de Lisboa em contraposição ao que nos vai custar bem caro. Procura-se com o Tratado de Lisboa, uma Europa mais coesa, com uma grande solidariedade entre todos os Estados-Membros, a promoção das igualdades sociais, a prosperidade de todo o continente. Mas em contraposição, os Estados Membros que estão de acordo com este Tratado, note-se que a Polónia ainda tem reticências e que os Irlandeses, muito bem aliás, disseram não ao Tratado, obrigam-nos a aceitar que vamos perder a nossa Soberania nos Mares, vamos estar completamente dependentes de decisões vindas de Bruxelas, Normas Jurídicas que poderão aceitar ou não mudanças na nossa própria Constituição, criando uma verdadeira dependência de Portugal relativamente ao exterior.

E sendo que o nosso Primeiro-Ministro chegou a ter o desplante de dizer ao Presidente Hugo Chavez da Venezuela em conversa privada que a “economia portuguesa está estagnada”, não é de admirar, pois, que a unica solução encontrada por este Governo é entrar de mão beijada a Independência de Portugal e a Soberania do Estado.

Senhor Primeiro-Ministro, a Economia Portuguesa está estagnada, porque os vários governos desta III Republica não souberam governar Portugal. Aproveitando mal os fundos comunitários. Não afirmando a Economia Portuguesa nos mercados Europeu e Mundial, criando dependência externa e desemprego, levando à falta de confiança no futuro de Portugal.

Portugal um país com 800 e tal anos de História; uma História riquíssima, cuja Herança é de todos os Portugueses, tem tido governos que uns atrás dos outros, estão mais preocupados com a construção europeia, que ninguém entende o que é, do que com o verdadeiro desenvolvimento de Portugal que passa pela educação, saúde, justiça, reforma do Estado, saneamento da vida pública, aumento da produtividade, melhoria nas condições de trabalho dos nossos pescadores, em vez de dar os nossos mares às desenvolvidas frotas pesqueiras dos outros Estados-membros da UE, etc…

Não há solução para Portugal? Estamos assim tão cegos com a Construção Europeia que não somos capazes de olhar para o século XVI, em que perdemos a nossa Independência, precisamente porque se pensava na época como agora, que era melhor entregar Portugal ao Estrangeiro do que sermos nós a fazer pela vida e nos sabermos governar chegando mais uma vez ao cúmulo de entregar a nossa pátria ao Estrangeiro, que diga-se nunca gostou de Portugal, porque nunca aceitou os feitos gloriosos dos nossos navegadores e Reis?

Vamos aceitar, tamanha traição?

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Revitalizar a Mensagem Monárquica

Tenho estado a reflectir sobre novas formas de fazer passar a mensagem monárquica aos portugueses e realmente creio que já não devemos apenas nos restringir à questão do regime propriamente dita, mas também aos problemas concretos do País.

Lembro-me do Grande Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles que além de Monárquico também esteve em Governos desta III Republica, para servir o seu País de uma forma brilhante como toda a gente reconhece.

Os Monárquicos não podem mais só se agarrarem à Doutrina Monárquica e à Lealdade à Família Real. Certo são principios imprescindíveis. Mas o que realmente poderá ajudar na Restauração da Monarquia em Portugal é, efectivamente, haver organizações como o Instituto da Democracia Portuguesa que se preocupa com os problemas do País Real e tem especialistas em várias áreas a estudarem os problemas que o nosso País padece.

A Administração do Projecto Democracia Real não pode descurar a hipótese de contactar o Instituto da Democracia Portuguesa assim como não pode descurar a hipótese de contactar dirigentes das Reais Associações, como de Lisboa.

É importante que as pessoas entendam que o Projecto Democracia Real não é nenhum Partido, Nenhum Movimento. É um conjunto de pessoas voluntárias, apenas e só.

O PDR JORNAL foi integrado no Conselho dos Fóruns do IDP, pelo simples facto de que iremos receber artigos de importância e, naturalmente, o espaço em causa ficará mais rico em conteúdos, sobre o País Real.

A Monarquia só será restaurada quando os Portugueses entenderem o quanto ela é e pode ser útil ao futuro do País. E essa missão cabe a todos os Monárquicos.

Servir o País é o dever de todo o Monárquico que se preze. Cada um pode servir o seu País, a sua comunidade, de acordo com as suas possibilidades. Façamos por isso. Façamos pela mudança absolutamente necessária ao futuro das próximas gerações.

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Mensagem de Dom Duarte de Bragança, ainda Príncipe da Beira, por altura da Revolução do 25 de Abril de 1974

“Mensagem do Príncipe da Beira [1974 ]

Vivo intensamente este momento de transcendente importância para a Nação Portuguesa e julgo dever comunicar o meu pensamento na hora presente:

1.      Dou o meu inteiro apoio ao Movimento das Forças Amadas e à Junta de Salvação Nacional, a minha plena adesão ao seu Programa, especialmente em ordem à instauração de uma verdadeira e consciente Democracia, saneamento da vida pública e solução do problema do Ultramar, no mais estrito respeito pelos inalienáveis direitos da pessoa humana.

2.      Peço a todos os Portugueses que ponham todo o seu entusiasmo, energia e inteligência ao serviço da nova sociedade, fundada na liberdade e na participação, para a construção e defesa do bem comum.

3.      Reitero o meu propósito de que o nome monárquico não seja utilizado em contradição com os princípios de dignidade da pessoa humana, justiça social, liberdade e pluralismo política, e participação de todos nas decisões, princípios que não podem ser ofendidos sem grave prejuízo para o viver do Povo Português e para o futuro da nossa Pátria comum.

Dom Duarte João de Bragança”

Fonte: www.lusitana.org

Este artigo de Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança esclarece ou deveria esclarecer os Portugueses que o Príncipio Monárquico, hoje, não está ligado a nenhuma doutrina autoritária, fascista ou o que for. O Principio Monárquico está assente na vontade popular e é encarnado na figura do Rei.

Pelo que a Monarquia é perfeitamente compativel com a Democracia e quero aqui lembrar neste dia que se celebram os 35 anos da Revolução de Abril, que esta Democracia não é, nem nunca foi, uma Democracia completa. Estamos em época de eleições, não dá voz a todos os Partidos por ocasião dos debates, impede os Portugueses de se pronunciarem livremente e democraticamente se queriam ter um Rei ou um Presidente, entre outros aspectos.

Pelo que temos que pensar Abril, não só nos direitos de todos nós Portugueses mas também nos deveres de procurar uma Sociedade Nova e com esperança. Já está provado que o actual regime está decadente e já pouca gente acredita nele, basta ver as abstenções cada vez mais elevadas.

Mude-se de regime. Mude-se para a Monarquia Parlamentar e Democrática e procuremos um outro futuro, sem ser este que nos reservam.

Bom Feriado a todos os Portugueses!

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Será?

É comum ouvir-se falar que monarquia não se pode confundir com política no sentido de governar. Faz todo o sentido pensar assim já que o Rei não governa mas reina no entanto a questão vai mais além e não se fica pela aparente simplicidade da diferença entre governar e reinar.

Preocupação recorrente (ou se calhar nem tanto) do povo português é a questão das políticas: a politica da saúde, a politica da educação, a política da assistência social, a politica de segurança, etc

Questiono agora, se existirão as políticas acima mencionadas? Será que existem linhas orientadoras a nível nacional que, apesar de frequentemente mudarem os responsáveis políticos, fazem com que seja garantida uma certa estabilidade nacional a longo prazo?

Saúde

Será uma linha orientadora que faz com que se fechem maternidades levando as «nossas» grávidas a terem os filhos no país vizinho ou em ambulâncias? Será uma política a longo prazo não deixar os nossos estudantes entrarem em cursos de medicina (através da imposição de médias de entrada ridiculamente elevadas causadas pelo numero limitado de vagas – demasiado limitado para as necessidades do País) ao mesmo tempo que se «importam» médicos de outros países?

Educação

Será uma política a longo prazo a cultura do facilitismo com a ignorância a aumentar entre a camada estudantil, tudo a bem das estatísticas? Será para manter uma politica que de tanto massacrar os professores (directa ou indirectamente) os faz pedirem a reforma (por vezes antecipada)? Será uma política ver professores serem hospitalizados por terem sido agredidos por alunos em plena sala de aula?

Assistência social

Pois, assistência social. Muitos perguntarão Assistência quê? Sim, essa mesma, essa que deixa os idosos desamparados, sozinhos, isolados. Sim, essa assistência que pouco ou nada ajuda aqueles pais que não sabem que voltas hão de dar para se sustentarem a eles e aos filhos e que muitas vezes (cada vez mais, infelizmente) têm de fazer autênticos malabarismos e truques de magia para que o reduzido ordenado chegue para as despesas do mês. Sim, essa assistência social que concede subsídios a pessoas perfeitamente válidas para não fazerem nada quando há muito trabalho comunitário para se fazer. Sim, essa assistência social. Será que é uma política social?

Cultura

Será que existe uma política para a cultura? Será que é uma politica a de ignorar quase totalmente as nossas tradições, muitos dos nossos monumentos, a nossa história e todas as riquezas que este povo com mais de 800 anos foi acumulando em detrimento de uma importação barata de tradições e culturas estrangeiras que historicamente nada nos dizem? Será que há alguma política de cultura em ver bandas de música, orquestras, companhias de dança e teatro morrerem sem que nada seja feito?

Será uma política de cultura ter literatura e música a preços ‘indecentemente caros’ (como dizia António Lobo Antunes)? Mais haveria a dizer neste ponto mas os aspectos abordados parecem-me suficientemente ilustrativos. Resta-me fazer umas últimas questões ainda no âmbito da cultura em Portugal: será que isto tudo pertence a uma politica de cultura? Aliás, será que existe uma política de cultura de todo ou será que, pelo contrário, cada vez mais os portugueses e a cultura estão mais afastados?

Emprego

Será política de emprego deixar os empregados receberem ordenados miseráveis ou, em alternativa, serem despedidos? Será política de emprego?

Muito mais haveria para dizer mas torna-se impraticável fazer abordagem a todos os pontos aqui. Não posso, no entanto, deixar de referir mais uns aspectos.

Fala-se frequentemente que a população portuguesa está a envelhecer a ritmo demasiado elevado. Pergunto o que está a ser feito para combater isso! Com os jovens nos dias de hoje a não terem modos de subsistência para eles próprios, como podem pensar em formar família? E mesmo que pensem em ter família, como poderão pensar em ter mais do que um ou dois (e dois para muitos casais já será um sacrifício) filhos? E ainda que consigam sustentar filhos, como poderão resistir caso a mulher esteja para ser prejudicada profissionalmente só por engravidar, só por ser mulher? E que politicas existem para fazer face a estes problemas? Que linhas orientadoras existem?

Claro que muitos dirão que, para manter uma linha orientadora, existe o cargo de Presidente. Pois, é um facto mas a verdade é que os presidentes mudam, no máximo de 10 em 10 anos e esse tempo está muito longe do necessário para fazer políticas a longo prazo.

Um Rei, pelo contrário, ao dedicar a sua vida ao serviço do País, garante a existência de linhas orientadores e que estas não mudam com tanta facilidade o que leva a uma mais que certa estabilidade. Inevitavelmente um Rei, ao reinar por 20, 30, 40 ou mais anos tem uma visão mais alargada, uma visão mais a longo prazo. Ao falecer (ou abdicar) suceder-lhe-á o seu filho (regra geral, embora possa haver excepções) que ao conviver diariamente com o pai, vai aprendendo a ter também uma visão a longo prazo. A transição não será, então, um choque. Será, pelo contrário, uma transição tranquila. E não é isto que todas os portuguesas e todos os portugueses desejam?

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Entrevista de Dom Duarte de Bragança ao Jornal “O Diabo”

D. Duarte: «Não é saudável para para a democracia deixar o monopólio da representação política a uma espécie de “clubes fechados”»

Publicado a 17 Mar 2009

Entrevista ao Jornal “O Diabo” 17/03/2009

«Os grandes investimentos em obras públicas vão aumentar a nossa dívida pública, que cresce em dois milhões de euros por hora, e não contribuem para resolver o problema»

«Há falta de participação dos cidadãos devidamente organizados nas decisões que comprometem o nosso futuro»

«Corremos um grave risco de falta de abastecimento alimentar quando a crise financeira portuguesa se agravar»

O DIABO – Estamos no final da legislatura. Como avalia estes quatro anos de Governo de José Sócrates?

DOM DUARTE – Tem tomado decisões boas e outras erradas… Não ponho em causa as justas intenções dos governantes, mas há falta de participação dos cidadãos devidamente organizados nas decisões que comprometem o nosso futuro. Um bom exemplo de como essa intervenção cívica pode ser importante foi a que levou a cancelar o aeroporto da OTA.  Há quem diga que Portugal vive uma situação preocupante, sobretudo agravada pela crise económica porque apostou no modelo errado de desenvolvimento. Concorda?

Há anos que venho defendendo essa posição. Não podemos investir em betão e pior, em luxos desnecessários de País rico, enquanto a nossa gente tem um desenvolvimento cultural e formação profissional inadequado para os novos desafios, os agricultores não dispõem das mesmas condições dos seus colegas europeus, etc. O mais grave pode ser a destruição das nossas terras agrícolas, que foram classificadas pelo então Secretário de Estado, Gonçalo Ribeiro Telles, como Reserva Agrícola Nacional , e que têm sido sistematicamente destruídas, com ou sem a aprovação oficial. Junto com a perca dos saberes dos agricultores, com a morte de muitos e o abandono de outros, corremos um grave risco de falta de abastecimento alimentar quando a crise financeira portuguesa se agravar.
Quais são as urgências do País nestes tempos tenebrosos que vivemos ?

Devemos com coragem rever os nosso modelo de desenvolvimento, as nossas prioridades tanto a nível de Estado como individuais.

«Ocasião excelente para mudar de atitudes»

O desemprego aumenta. As famílias e as empresas estão endividadas. Quando a crise passar como vamos reerguer-nos?

É uma ocasião excelente para mudar de atitudes. Já aconteceu recentemente a falência de certos países, como a Argentina, e eles encontraram boas soluções acabando por ficar melhor do que antes. Conviria estudar esses casos.   Faz sentido que imensa gente esteja a receber subsídios, de desemprego ou de inserção social, e não contribua de algum modo para a sociedade? É humilhante e mau para eles e muito injusto para quem os sustenta, com os seus impostos. Deveria haver um serviço cívico em que os desempregados e subsidiados se ocupassem enquanto não encontrarem o emprego adequado. Algo do género tem sido feito encaminhando alguns jovens para colaborar com instituições de solidariedade social.
Como avalia a forma como o Governo tem lidado com a crise económica?

O Professor Medina Carreira tem explicado com lucidez a situação. Os grandes investimentos em obras públicas vão aumentar a nossa dívida pública, que segundo ele aumenta em dois milhões de euros por hora, e não contribuem para resolver o problema. A maior parte do dinheiro investido vai logo para o estrangeiro: remessas dos emigrantes, compra de material, e o mais grave, os portugueses  gastam grande parte dos salários a comprar produtos estrangeiros. Seria melhor apoiar as empresas portuguesas viáveis, não as falidas, para serem capazes de competir com as estrangeiras. Não é sobrecarregandoas com impostos que se consegue isso! Nessas empresas incluo os bancos…

Onde está a raiz dos problemas do País? Na Educação, na Justiça?

Na base de todos os problemas está a falta de educação do raciocínio lógico! Os programas escolares enchem a cabeça das crianças e jovens de regras e informações, como se enche os chouriços, mas eles em geral não sabem utilizar o que aprendem. Não se ensina a raciocinar, e pode parecer que isso seja propositado, pois é mais fácil manipular «as massas humanas» estupidificadas pela televisão do que um Povo que sabe pensar e avaliar onde está a verdade. Veja que o ensino da Moral é francamente desencorajado…  Eu compreendo a revolta dos professores que se sentem desautorizados por programas desadequados, ou politicamente motivados, feitos nem se sabe por quem. E pela falta de autoridade nas escolas públicas. Um exemplo das decisões insensatas foi a obrigação das aulas durarem 90 minutos. Como é que querem que as crianças prestem atenção à aula durante uma hora e meia? A outra  foi mudarem as carteiras escolares para mesas horizontais, péssimas para a saúde e aproveitamento escolar das crianças! Há mais de dois mil anos que se sabe que devemos escrever e ler em carteiras inclinadas, mas algum génio decidiu em Portugal que sabia mais, e mudou tudo, contra a opinião de todos os médicos de medicina postural.  As associações de famílias dos alunos, de professores, os psicólogos, etc. deveriam ser ouvidas.
Há quem diga que um bom Sistema de Justiça é sinónimo de desenvolvimento económico. O nosso sistema judicial também está na origem no nosso atraso?

As leis são mal feitas, o trabalho dos deputados não é suficientemente apoiado por especialistas nas diferentes matérias, e os juízes não tem condições de trabalho. Em geral, nem sequer tem secretários. Os «palácios de Justiça» são aberrações arquitectónicas, mal concebidos, para além de desfearem a paisagem.

A crise que afecta o País atinge a classe média e os pobres. Os ricos passam imunes a esta crise?

Alguns irão à falência, outros foram mais cuidadosos. Mas para as pessoas com boa formação moral é duríssimo ter de encerrar uma empresa e despedir os seus colaboradores…

Na sua opinião vamos ter, no futuro, uma estratificação social diferente da que tínhamos até agora?

Não sei. O Interior do País é uma das zonas que mais tem sofrido com a crise económica. Fraco tecido empresarial, precariedade no emprego. Na sua opinião, o Governo tem tido uma política de protecção do Interior do País? Os governos têm investido no desenvolvimento material das cidades e vilas do Interior, mas não têm encorajado a fixação, ou mesmo a deslocalização de empresas para lá com excepção de alguns «pólos universitários» interessantes.  Mesmo as empresas e serviços do Estado ficam quase sempre em Lisboa, ao contrário do que se passa na Europa desenvolvida.
Continuamos a ser um País atrasado a todos os níveis ao nível europeu – e por isso não conseguimos dar o salto?

Comparando com o que se passava antes do golpe republicano de 1910, estamos muito mais atrasados em relação ao resto da Europa. Não percebo como é que se vai gastar mais de dez milhões de euros para festejar isso, os cem anos da República.

Deixo uma sugestão: em homenagem à República usem essas verbas para financiar iniciativas caritativas, sociais e de desenvolvimento humano.

Por falar em investimento. Vamos ter um novo museu dos Coches que vai custar ao País 30 milhões de euros. Como comenta este investimento?

Está a correr na Internet e cá fora um abaixo-assinado contra o abandono do actual museu dos Coches, que é belíssimo e um dos mais visitados em Portugal, especialmente pelos estrangeiros. Gastar essa quantia inutilmente é inaceitável, ainda por cima para construir um caixote de cimento e vidro que chocará violentamente com a graça e beleza da área de Belém.

Há quem defenda a necessidade de refundação da República. Concorda?

O regime republicano foi implantado pela força de um golpe militar apoiado pelos terroristas da época, a carbonária, nunca foi referendado e na minha opinião, não foi verdadeiramente assimilado pelos portugueses. Por isso a maioria quer um Presidente que seja como um Rei, independente e isento, o que é muito difícil. Durante a minha vida conheci excelentes presidentes, desde o Almirante Américo Thomaz até ao actual, mas a sua origem política e as forças que os apoiaram dificilmente são compatíveis com uma imagem de independência. A corrupção tem dominado o sistema político português nos últimos anos, de forma mais visível e mediatizada.

De que forma se pode acabar com o fenómeno?

Diminuindo as intervenções do poder político no campo económico, não autorizando derrapagens orçamentais superiores a 5 por cento, reforçando as capacidades do Tribunal de Contas, e educando a população para que consigam perceber que um político corrupto enriquece à nossa custa e não pode ser premiado com a reeleição, como tem acontecido em vários municípios…

A democracia que temos está hoje mais forte ou, como muitos dizem, está frágil e a precisar de refundação?

Está preocupantemente frágil. Se não estivermos melhor preparados para enfrentar a crise, receio que a população mande a democracia para as urtigas… Este ano vamos ter três eleições.

É de esperar, na sua opinião, alguma mudança no mapa eleitoral das legislativas e autárquicas, sobretudo?

Acho que as eleições europeias seriam uma boa ocasião para movimentos cívicos representativos das grandes organizações sociais ou de valores éticos e morais se organizarem e participarem, podendo eleger representantes independentes para o Parlamento Europeu. Os movimentos ambientalistas, o movimento cooperativo, as organizações caritativas e de solidariedade social, etc., poderiam participar para fazerem ouvir a sua voz, em colaboração com as congéneres europeias. Não me parece saudável para a credibilidade da democracia deixar o monopólio da representação política a uma espécie de «clubes fechados» em que infelizmente se estão a tornar os partidos em muitos países.

Acha que José Sócrates renovará a maioria absoluta?

É melhor perguntar ao Dr. Karamba…

Que futuro tem o nosso País na Europa a 27 e no Tratado de Lisboa?

Gosto do lema usado em alguns países quando tiveram os referendos a que nós não tivemos direito: «Europa sim, mas não assim»… O meu Tio Arquiduque Otto de Habsburgo, eurodeputado até aos seus 90 anos e grande promotor da «construção europeia», defendeu sempre que a Europa deveria seguir o modelo da velha Confederação Helvética (Suiça) e tornar-se uma Confederação de países independentes, em vez de caminhar para uma Federação de estados com menos liberdades do que os dos EUA, como na verdade se pretende com a «Constituição reciclada», o Tratado de Lisboa. Este debate tem sido sonegado, mas é fundamental para que a verdadeira unidade possa funcionar duradouramente. Ninguém nos explicou o que levou os Irlandeses a votar Não no referendo, mas foram motivos muito válidos e justos.

Fonte: Sítio do IDP

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