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Junho 23, 2009 • 2:41 pm 0
É a União Europeia uma Democracia?
Junho 14, 2009 • 9:28 pm 0
Vasco Pulido Valente “enterra” o regime republicano em entrevista ao CM
Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:
«Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.»
«Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República!»
Vasco Valente Correia Guedes, conhecido por Vasco Pulido Valente, nasceu em Lisboa no dia 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa e doutorou-se em História em Oxford. Historiador, ensaísta, escritor e comentador político, lança nesta semana mais um livro sobre a história de Portugal.
(13 de maio de 2009)
Vasco Pulido Valente “enterra” o Centenário da República
Vasco Pulido Valente e o “regime terrorista” ouvir aqui :
http://radioclube.clix.pt/player/silver/?sound_id=13260
Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:
ARF – Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?
VPV –
ARF – E porque é que se comemoram os 100 anos?
VPV – Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.
ARF – Coreia do Norte e outros.
VPV – Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.
ARF – Vai participar nessas comemorações, já foi contactado?
VPV – Não.
ARF – Não foi porque tem essas opiniões?
VPV – Não.
ARF – Não convém às comemorações dos 100 anos?
VPV – Não sei se convém ou não convém. Mas compreendo que pessoas que queiram comemorar não me queiram. Mas houve uma senhora deputada que me veio falar em nome do senhor presidente da Assembleia da República. E eu expliquei à senhora deputada que já não tinha idade para receber recados por interposta pessoa do doutor Jaime Gama, que eu conheço desde os 18 anos. Portanto, se o doutor Jaime Gama me quiser falar não tinha mais que agarrar num telefone e telefonar-me. Não telefonou mais. E foi o único contacto que eu tive. Lembrei-me agora.
LC – Na sua opinião não devia haver comemorações?
VPV – Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.
ARF – Exactamente.
- Não é um período particularmente brilhante na nossa história e acho bem que não me convidem. É uma coisa que obviamente não estou na disposição de comemorar.
ARF – A propósito disso, a revolução do 28 de Maio de 1926 não nasceu do nada. Havia pessoas concretas e interesses concretos que fizeram esse golpe.
- Eu não gosto muito dessa linguagem dos interesses. O problema que se pôs à República é o problema que se põe a todos os movimentos revolucionários. É que os movimentos revolucionários ou mantêm a sua parte revolucionária, isto é, a sua parte terrorista e não conseguem governar, suscitam uma resistência contínua e não conseguem governar, ou então põem na ordem os seus próprios terroristas, os grupos que os apoiam, e são imediatamente submergidos pelas forças conservadoras. O velho dilema entre fazer a revolução e governar pôs-se para a República. E a partir de 1923, 1924 a República, depois de ter chegado ao cúmulo da anarquia, tentou fazer um caminho para a estabilidade e fortalecer a parte de Governo. Para isso apoiou-se em quem? Apoiou-se no Exército e quando o Exército se viu com o poder todo nas mãos evidentemente liquidou a República.
ARF – E vem Salazar na sequência disso.
- E acontece Salazar na sequência disso.
ARF – E Salazar manteve uma ditadura.
- O Salazar viveu numa ditadura militar. Sem o Exército não teria governado.
LC – Vamos dar um salto de 50 anos. Diz que o 25 de Abril não foi uma revolução e que acabou por não transformar a sociedade portuguesa.
- Não foi uma revolução. As pessoas apareceram nas ruas. Não havia movimentos sociais que impusessem o 25 de Abril. O 25 de Abril começou por ser um movimento corporativo, cresceu como movimento corporativo e só depois de ter ganho é que apareceram movimentos sociais, alguns espontâneos, outros nada espontâneos. A satisfação, o entusiasmo pelo fim da ditadura foi espontâneo, daí em diante tinha de analisar cuidadosamente o que foi espontâneo do que foi organizado. Mas não havia nenhum movimento social prévio, a não ser na imaginação de alguns esquerdistas e talvez do PCP, que impusesse o 25 de Abril.
LC – Havia uma oposição organizada.
- As pessoas em Portugal naquela altura não queriam fazer uma revolução. Queriam ir para França ou para a Alemanha. É preciso perceber isso. Não haviam nenhumas condições revolucionárias. As pessoas não queriam fazer uma revolução, não queriam vir para a rua, não queriam nacionalizar nada, não queriam ocupar terras nenhumas. Queriam pegar na mítica mala de cartão e ir para França onde ganhavam mais e melhor. Estavam fartas de miséria, não queriam distribuir miséria nenhuma, não queriam colectivizar a miséria portuguesa. Queriam ir-se embora.
ARF – Isso foi um sonho falhado do PCP, que imaginou que ia fazer em Portugal uma revolução.
- O PCP tinha o seu programa de colectivizar a miséria que o doutor Cunhal aplicou com uma cegueira absoluta.
ARF – Porque não conhecia Portugal?
- Não conhecia Portugal, não estava há muito tempo em Portugal e antes tinha estado preso em Caxias, ainda por cima grande parte dessa prisão em isolamento. Mas não conheceu em Portugal, não fazia a menor ideia. Por isso é que ele se conservou tão puro, tão intransigente, tão…
ARF – Dogmático?
- Tão hostil ao eurocomunismo, ao Carrilho e aos italianos. Começaram a perceber que aquelas receitas já não se podiam aplicar a sociedades tão complexas. Por um lado o Cunhal não tinha a experiência dessa complexidade e por outro lado Portugal era de facto uma sociedade muito mais atrasada do que a sociedade francesa, espanhola, mesmo a espanhola, ou italiana. De maneira que o doutor Cunhal convenceu-se que o movimentarismo das ideias dele era equivalente, era um bom reflexo do movimentarismo da sociedade portuguesa.
ARF – Mário Soares foi o grande homem destes anos depois de 1974?
- Foi o homem que percebeu que para haver uma modernização, ou seja, uma compatibilização de Portugal com a Europa, era preciso democracia. Acabar com o império e era preciso democracia.
ARF – Sá Carneiro não foi também importante nesse processo?
- Sá Carneiro não conduziu esse processo e Sá Carneiro não percebeu esse processo a tempo. E que esse processo para ter sucesso era preciso que estivesse associado a forças políticas na Europa. Que as forças políticas internas que havia a favor da democracia eram fracas. Os militares nunca foram grandes democratas nem por vocação nem por educação, o País estava longe de ser democrata, tinha da democracia a ideia mais vaga, havia um PCP relativamente forte, as forças de direita estavam desacreditadas e era preciso que houvesse uma força democrática capaz de impor a democracia. E que essa força democrática tinha de ser uma força ligada às forças democráticas europeias. A esquerda em Portugal, antes de 25 de Abril, discutia a teologia do marxismo. Até o doutor Álvaro Cunhal discutia a teologia do marxismo. Não se discutia Portugal. Discutia-se se os loucos pequenos burgueses tinham fachada socialista ou não tinham, se o PCP era de facto um partido marxista-leninista ou não era, quem era quem, quem eram os autênticos marxistas-leninistas, os verdadeiros revolucionários. Era isso que se discutia há anos. Enquanto essas pessoas andaram aí a discutir estas coisas tão importantes, o doutor Mário Soares foi à Internacional Socialista e fez um Partido Socialista com cabeça, tronco e membros. E apareceu com o PS e isso é que alterou tudo. Além do comportamento exemplar que teve no processo. Exemplar, inteligente e de um enorme talento, ia mesmo dizer génio, estratégico. Mas ele começou muito antes, ele viu o problema muito antes, não veio aqui e improvisou aquelas coisas.
LC – Disse que se estivesse no lugar de José Sócrates se demitia, que não teria condições para ocupar o cargo. Acha que José Sócrates não tem condições?
- A premissa está errada. Se eu estivesse, eu nunca estaria no lugar de José Sócrates. Isso é uma coisa de imaginação, chamada de imaginação histórica. Mas contando que é um acto de imaginação histórica eu, de facto, se estivesse no lugar de José Sócrates preferia perder as eleições e ir para casa.
LC – Mas porquê?
- Porque ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora.
ARF – Exacto.
- Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou.
LC – Considera a maioria absoluta essencial para o País? Prevê um período de instabilidade se o PS não tiver maioria absoluta?
- Eu não prevejo, eu suspeito que o PS não vai ter maioria absoluta.
LC – Isso é um problema?
- Pode ser que seja um problema, mas não considero que seja um drama. A gente não pode estar a voltar ao partido único com duas cabeças, bicéfalo, o PSD e PS, para a necessidade que agora se está a querer fazer passar de que é preciso uma maioria. Ou seja, nós só podemos viver com partido único. No fundo, o que nos estão a dizer é que nós só podemos viver com um partido único.
ARF – Só somos viáveis com um partido único.
- Portugal só é viável com um partido único. Eu recuso-me a aceitar isso.
LC – Encontra alguma possibilidade, ou haja que é desejável, de alianças no próximo mandato?
- Eu não sei, não sou político, falta-me muita informação sobre o estado do País. Também falta aos políticos, é verdade que sim, mas eles têm maneiras de as arranjar mais facilmente do que eu. Falta-me informação sobre o estado do País, falta-me informação sobre o estado dos partidos, que eles com certeza têm. E só com essa informação é que eu poderia dizer que certas alianças são ou não possíveis.
LC – No caso do PS, historicamente, a coisa não tem resultado bem.
- Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso.
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• 8:47 pm 1
ENTREVISTA A HERNÂNI CARVALHO
HERNÂNI CARVALHO é o meu Entrevistado, depois de termos entrevistado há uns mêses Paulo Teixeira-Pinto, Presidente da Causa Real, O JORNAL, volta às Entrevistas. Hernâni Carvalho é um dos jornalistas portugueses mais premiados. Esteve na Bósnia, debaixo de fogo, em Timor, cuja experiência lhe valeu a escrita de um livro, e mais recentemente, esteve no Afeganistão. Arriscou várias vezes a vida, chegando por vezes a sítios onde mais nenhum jornalista conseguia chegar. Hoje participa semanalmente no programa da TVI “Você na TV”, na rúbrica CRIME DIZ ELE.
1- Estando Portugal perto de completar 865 anos de existência, no próximo 5 de Outubro, pergunto-lhe o que é para si, em pleno século XXI, ser Português?
É pouco mais do que esperança. É tudo quanto nos resta. Muitos calam-se, os bons partem e os mediocres continuam a governar e a decidir. Culpa de todos nós, é claro.
2- Que análise faz às 3 Republicas Portuguesas, tendo em conta que também no próximo dia 5 de Outubro, serão as comemorações dos 98 anos da Proclamação da Republica?
A primeira foi a vingança dos miseráveis. A monarquia liberal tinha muito mais representatividade, por exemplo no parlamento, que a primeira Republica teve. Veja-se, nesses dias, quem perdeu direito de voto e quantos. A própria ideia de imperio nasce por essa altura. A segunda fechou-nos e isolou-nos à modernidade e ao desenvolvimento. A terceira prometeu, prometeu, mas os homens do Maio de 68, chegados ao governo são um flop. Em toda a Europa.
3- Para si, o que é mais importante? Celebrar a Fundação do País ou a Republica? O que é que para si deveria unir mais os Portugueses?
Importante é celebrar Portugal. O que nos devia unir é a globalização. Estamos a ser despidos das tradições que nos fizeram crescer. Estamos a ser normalizados
4- Faz sentido, hoje, em pleno século XXI, ser-se Monárquico e defender-se este ideal?
Faz hoje mais do que nunca!
5- Procurando, eu, sempre que posso, ver a sua rúbrica na TVI “Crime diz ele”, que comentário faz ao nosso sistema de Justiça?
Quando ocorreu o 25 de Abril de 74, oito por cento dos portugueses sabia que aquele edifício estava podre e vivia da impossibilidade de o povo ter direito à Justiça. Hoje sabem-no provavelmente oitenta e oito por cento dos portugueses. A miséria é maior agora. A título de exemplo, por aqueles dias de 74, os juízes fascistas que presidiram a tribunais plenários onde o direito a liquidar uma pessoa era quase pleno, foram administrativamente reciclados em vinte e quatro horas. A 26 de Abril desse mesmo ano, os mesmo juízes foram reciclados administrativamente e transformados em exemplares e democratas cidadãos e de novo colocados no pedestal a decidir a vida das pessoas que pedem justiça. Temos leis a mais e eficácia quase nula.
6- É apologista da Prisão Perpétua?
Sou apologista de penas eficazes e, sem pudor, assumo que uma pena deve ser um castigo e não uma reinserção, ao contrário do que defendem os modernistas da filosofia do direito. Isso não existe nem no eden. As raras excepções não dependeram do sistema. Falar em reinserção na prisão é ser calvinista e hipócrita, mas reconheço que é politicamente mais correcto. A prisão definitiva (com execepção de alguns casos – não encontro outra pena para quem, sendo dado como imputável, viola estripa e mata pessoas em série…) parece-me um risco numa sociedade democratica.
7- Que análise geral faz ao actual sistema político português?
É um logro. Desde logo pela base. O presidente da assembleia municipal não é votado pelo povo, como se faz crer nas campanhas, mas sim pelos eleitos nessa assembleia. E esta, em si, é outro logro pois os presidentes de junta de freguesia eleitos votam a escolha do presidente da assembleia municipal. Reconheço que os presidentes de Junta devam ter direito a expressar problemas e matérias na Assembleia Municipal mas sou contra terem direito a voto. Defendo que os municipios devem ser geridos pelos vereadores eleitos na lista vencedora. Defendo os circulos uninominais no parlamento nacional
8- Como comenta o Tratado de Lisboa? Vê nele benefícios para Portugal? Se sim, quais? Não será antes o pronunciamento do príncipio do fim de Portugal como Estado Soberano, nomeadamente relativamente à perda das águas territoriais?
Um país onde o ministro das Finanças decreta o fim da crise e outro afirma haver um deserto na margem sul, não carece de apresentações. Nesse país tudo é possível. Os medíocres escolhem sempre mediocres.
9- Faz sentido, um homem com cadastro, como Aquilino Ribeiro, no Panteão Nacional?
Julgar a História é arriscado. A estátua mais alta de Lisboa é a do Marquês de Pombal… Há outras matérias mais preocupantes. Mas percebo a questão.
10- Acredita que a Monarquia Parlamentar e Democrática poderá ser uma realidade a médio prazo? Não. Tenho pena, mas não acredito.
11- Que opinião tem do “boom” de sites de informação monárquica que se foram formando até há bem pouco tempo?
Espero para ver. É cedo. Tenho esperança de que não se transformem na defesa das capelinhas miseráveis que tenho visto ocorrer noutros registos…
12- Já tinha conhecimento do PDR-Projecto Democracia Real? Que opinião tem sobre este aumento do interesse pela Monarquia em Portugal? Acredita que os Portugueses podem ver a Monarquia como uma esperança se os monárquicos conseguirem passar a mensagem?
São muitas perguntas numa só. Não conheço o PDR nem acredito nesse “aumento do interesse pela Monarquia em Portugal”, que refere. Não o vislumbro nem o ouço no dia a dia das pessoas com quem falo ou das que observo. Ademais, “se os monárquicos conseguirem passar a mensagem” é um problema com noventa anos.
13- Como analisa a situação em Timor-Lorosae?
O estado Timorense não tem essa designação. Está a viver as naturais dores de crescimento. Mas sobre o neo-colonialismo australiano e os escandolosos privilégios dos funcionários da ONU em Timor, denunciei-os em 1999 e 2000 e chamaram-me incendiário.
14- Considera que a CPLP pode fazer mais do que tem feito, podendo, por exemplo, criar uma “Confederação Lusofona”?
No domínio das ideias é possível… mas já se provou que impraticável.
15- Que Portugal deseja para o futuro?
O que desejo não é o que prevejo. Desejo um país onde a Justiça não seja um sonho. Onde os pobres também tenham acesso e direito a ela. Onde ela, a Justiça, seja de facto o fiel da balança dos outros dois pilares – Parlamento e Governo. Onde o mais alto magistrado da nação não seja símbolo a prazo, como qualquer contratado a recibos verdes. Onde os homens pensem e projectem o país no real interesse da nação e não no interesse da camarilha a que pertencem. Mas repito: O que desejo, pena minha, não é o que prevejo.
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• 8:35 pm 0
Mensagem de SAR Dom Duarte de Bragança, 1 de Dezembro de 2008
Portugueses!
No 1º de Dezembro de 1640, os nossos antepassados devolveram Portugal aos Portugueses. Souberam responder à crise do seu tempo, lutando pela nossa independência. Hoje, olhamos para o nosso país, e vemos que se acentua a dependência externa e a obediência a directivas quantas vezes alheias à nossa própria vontade.
Anunciam-se dias difíceis. Parece evidente que 2009 será pior que os já duros anos recentes, particularmente para os mais desfavorecidos. É nos momentos de provação que se testa a alma de um povo. Para enfrentar a crise e manter a coesão social devemos invocar os valores espirituais da nossa cultura e vivermos em coerência com a nossa identidade e tradição. O reforço dos laços familiares, o sentido de comunidade e de povo são atitudes urgentes e decisivas em alturas como esta.
Enfrentámos muitos problemas terríveis ao longo da nossa História, que o nosso ânimo conseguiu ultrapassar. E daqui apelo aos instintos de iniciativa e solidariedade, de generosidade e de engenho.
É preciso ampliar a visão, ensaiar ousadia, e confiar a nós mesmos a garantia de desenvolvimento sustentado.
Vivemos uma ocasião propícia para rever as nossas prioridades. Devemos aprender a viver melhor consumindo menos, poupando os recursos limitados do nosso planeta. Para isso é importante apoiar a acção pedagógica de cientistas e organizações ambientalistas. Somos o país europeu com a menor percentagem de filiados nestes movimentos, que mereciam mais representação parlamentar.
A hora é de investir no povo português. As grandes opções para o nosso desenvolvimento têm agora uma oportunidade única para alterarem o rumo. Em vez de se deixar bloquear por falta de critérios técnicos ou por pressões de interesses, o Estado, o sector privado e as associações devem dar as mãos para ultrapassarmos as dificuldades. Queremos medidas mais justas e mais equitativas, e não apenas declarações que chegam tantas vezes tarde demais…
Como disse, a hora é de investir no povo português. É o que têm feito as famílias portuguesas que, com muito sacrifício, apostam na educação dos seus filhos. A qualificação dos jovens é indispensável e os movimentos de professores e de pais clamam por melhor Escola, em programas de ensino adequados, e pela dignificação e respeito pela missão dos professores.
A hora é de investir na terra portuguesa. É o que têm feito os agricultores que se recusam a abandonar a terra, contrariando as directivas desencontradas e a concorrência desleal por parte de outros países onde são muito mais apoiados. Portugal não precisa apenas de uma política de comércio livre; precisa sobretudo de uma política de comércio inteligente e justo.
Os nossos agricultores sabem produzir. Falta que saibam melhor associar-se e cooperar para distribuir os seus produtos directamente aos consumidores. Nos últimos dez anos perdemos 180 mil hectares de boas terras agrícolas comprometendo gravemente a nossa capacidade de produção de alimentos, acentuando a nossa vulnerabilidade. Ainda recentemente experimentamos os perigos que daí podem advir.
A hora é de investir no território português apoiando empresas inovadoras que recorram a energias alternativas.
Simultaneamente devemos combater os desperdícios energéticos e dar prioridade a transportes ferroviários e marítimos, como alternativas competitivas. A capacidade de auto-sustentação no plano energético é cada vez mais necessária. Por exemplo, modernizando as barragens hidroeléctricas já existentes, aumentaríamos a produção de energia em 20%.
O Estado deve promover e praticar uma política de gestão rigorosa dos seus recursos de modo a promover a nossa competitividade; deve ter um orçamento equilibrado para poder baixar os impostos de modo selectivo.
O Estado deve desistir das obras faraónicas, aumentar a produtividade da função pública, encorajar os investimentos privados que produzam riqueza, preferindo sempre bens e serviços produzidos em Portugal. Por exemplo, o facto dos fundos da Segurança Social não serem investidos exclusivamente em empresas portuguesas, contribui para a descapitalização nacional e para o desemprego.
Apelo aos partidos políticos para que não se deixem tornar em meros mecanismos de conquista do poder; que se lembrem que têm um papel decisivo nos debates sobre as doutrinas e as práticas políticas. Mas para isso, devem ser uma escola da cidadania, dialogando com as organizações não governamentais.
Este sentimento geral de que a democracia deve ser melhorada entre nós, levou-me a apoiar o recém-criado Instituto da Democracia Portuguesa, que tem já desenvolvido múltiplas e úteis actividades em várias regiões do país, em colaboração com diversas organizações e com as autarquias locais.
Em 1975 recuperámos as liberdades de expressão e de participação política que já existiam antes da revolução de 1910. Mas cada vez mais ouço especialistas e pessoas de bom senso a dizer: Portugal atrasou-se no séc. XX porque prescindiu do poder moderador do seu Rei, ao contrário de Espanha, Inglaterra e Bélgica, e outros países europeus, que prosseguiram na vanguarda do desenvolvimento.
Tenho percorrido o país de lés a lés. Sou sempre cordialmente acolhido pelos autarcas e pelas populações às quais agradeço o carinho que me dispensam. Nessas ocasiões, apercebo-me da grandeza do nosso património cultural, erudito e popular. Basta apreciar as nossas tradições culturais para me dar conta de como se formou a gente portuguesa, nas várias regiões em que se expressa a alma nacional. É este “produto interno bruto” que mantém em alta a bolsa de valores humanos em que nós devemos investir.
Quero aqui lembrar as numerosas homenagens a D. Carlos promovidas por várias Câmaras Municipais, com destaque para a ocasião em que o Chefe do Estado inaugurou a magnífica estátua erigida em Cascais.
Durante todo este ano tiveram lugar inúmeros eventos de carácter cultural em homenagem ao Rei e ao Príncipe Dom Luís Filipe, organizados pela Comissão D. Carlos 100 Anos, integrada na Fundação D. Manuel II. Salientou-se o congresso “Os Mares da Lusofonia” que reuniu representantes de todos os países que falam português. Pelo interesse suscitado, foi lançado o desafio de a realizar cada dois anos, em países diferentes.
Continuei este ano a colaborar com vários dos países nossos irmãos, especialmente a Guiné-Bissau, Angola e Timor, mediante programas de desenvolvimento rural e protecção ambiental.
Aproveito para saudar o Primeiro Ministro Xanana Gusmão, actualmente de visita a Portugal, como líder que soube conduzir o heróico Povo timorense na luta pela liberdade e agora o serve com seriedade e competência no caminho do progresso material e espiritual.
Saúdo o alargamento da CPLP esperando que em breve, Marrocos, o Senegal, as Ilhas Maurícias, a Guiné Equatorial e os nossos irmãos galegos possam fazer parte dessa comunidade. A Galiza procura afirmar a sua identidade cultural através da sua “fala”, que está na origem do português moderno.
Tive a alegria de levar a minha Família ao país de minha Mãe, trineta do primeiro Imperador, Dom Pedro, para participar nas celebrações dos 200 anos da transferência do Governo e do Rei para o Brasil. Finalmente foi feita justiça ao tão caluniado D. João VI!
A crescente importância económica e política do Brasil no Mundo é um motivo de orgulho e de oportunidade histórica para Portugal. Felicito os nossos governantes por a saberem aproveitar.
Deixo para o fim a instituição militar que, desde a fundação de Portugal tem estado intimamente ligada ao nosso percurso colectivo. Hoje, defendendo Portugal “lá fora”, tem contribuído de forma impar para o prestígio e afirmação nacionais e para a paz e a segurança da população portuguesa e das regiões em que tem operado.
A canonização, em 2009, de D. Nuno Álvares Pereira, patrono das Forças Armadas, será uma providencial ocasião para aprendermos com os seus exemplos de valentia e caridade, inteligência militar e política, e defesa intransigente da nossa liberdade e independência. Saibamos aproveitar essa oportunidade!
Do fundo da história vem uma certeza que os monges de Alcobaça redigiram numa das mais belas frases da monarquia portuguesa: “O rei é livre e nós somos livres!”.
Neste convento do Beato, situado na Lisboa Oriental onde se começou a conspirar para o 1º de Dezembro, deixai-me hoje proclamar: “Eu sou livre e vós sois livres!”. “Eu sou livre” e “Vós sois livres” porque ser monárquico é também defender Portugal acima de todos os interesses. Juntos poderemos renovar a democracia portuguesa pela Instituição Real que só poderá vigorar por vontade do povo, com o povo e enquanto o povo o entender.
A minha Mulher, eu, e os nossos filhos Afonso, Maria Francisca e Dinis, a isso nos comprometemos porque Portugal pode, Portugal deve, e Portugal quer continuar democrático e independente!
Todos os que pensarem que o sonho dos fundadores e dos restauradores ainda está vivo, venham ter connosco; e se alguém questionar este crescente sentir do poder do povo, a resposta é hoje, como o foi no primeiro 1º de Dezembro: “O rei é livre e nós somos livres!”
Convento do Beato, 30 de Novembro de 2008
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• 8:14 pm 0
A VOZ DOS GENERAIS
Desde hé meses que não param de surgir na Imprensa escrita expressões diversas de descontentamento e desespero.
Não menos importante – porque preocupante – as hierarquias militares têm-se feito igualmente eco do desagrado geral em relação ao deplorável estado geral de Portugal.
Neste artigo, sumarizamos os comentários mais emergentes na Imprensa:
General Garcia Leandro:
(…) Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias. Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido. Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa. É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta. Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade (…). Nota: artigo publicado no jornal “Expresso” de 11-2-2008
General Loureiro dos Santos:
(…) “O Estado português não age no quadro de um conceito estratégico nacional que tenha formulado. Verdadeiramente, não se sabe bem qual o motor da sua acção, o cimento que articula as várias políticas sectoriais (…). Se as políticas de defesa fossem eficientes, elas assegurariam a possibilidade das Forças Armadas disporem permanentemente dos recursos humanos necessários, através de um sistema de serviço militar misto – com quadros permanentes vinculados ao serviço das armas como opção perene, militares com vínculo profissional de curta duração e militares provenientes da conscrição. Com a capacidade de manter o nível adequado de efectivos em todas as circunstâncias, sem custos exorbitantes, e de transmitir a uma parte significativa dos portugueses e portuguesas um contacto útil com a prática rigorosa dos valores nacionais. Como o patriotismo e o sentimento de pertença a um país com identidade própria, o culto dos mais elevados valores humanos e do sentido do cumprimento da missão, assim como a importância das virtudes militares – a lealdade, a honra, a coragem moral e física, o culto da disciplina e o espírito de sacrifício.” (…) “os militares sentem-(se) maltratados pelo poder político, que teima em não cumprir algumas leis por ele próprio elaboradas que beneficiam os cidadãos militares. Ao mesmo tempo que toma decisões que os prejudicam, material e moralmente, no campo dos seus direitos sociais, esquecendo a importância da concretização do conceito “apoio à família militar”, na sua devida extensão. (…) “Convém alertar que, sem políticas de defesa eficientes, o Estado não estará em condições de cumprir o essencial das funções que justificam a sua existência. Não é apenas a Segurança Nacional que se pode encontrar em perigo; será também prejudicada a possibilidade de atingir os níveis de bem-estar a que todos os portugueses se sentem com direito.” Nota: artigo publicado na “Revista Militar”
General Martins Barrento:
“Na actualidade, a importância, pujança e apetência dos agentes económicos pelo poder, e a descoberta do poder que possuem aqueles que dirigem e veiculam a comunicação social levam estes poderes a emergir ao lado do poder político, em concorrência com ele ou a influenciá lo em âmbitos como os da segurança e do bem estar, que até aqui só ao Estado pertenciam. Desta situação resulta que a constituição, acção ou inacção da Instituição Militar possa hoje não ser determinada apenas pelos superiores interesses do Estado, os quais compete ao poder político assegurar, mas também por outros interesses.” (…) A comunicação social, importante pilar da cidadania pela informação que transmite, não se limita infelizmente a esta nobre tarefa, porque, estando sujeita a critérios económicos e ideológicos, não se coíbe de, na defesa dos seus interesses, procurar o sensacionalismo, a polémica pela polémica, a venda fácil, mesmo que isso seja feito em prejuízo da verdade. Isto é, além de informar, também deforma e desinforma, tendo como efeito o de, quem a vê, lê ou ouve, apesar de saber frequentemente daquela situação, poder ainda pensar que aquilo que ela transmite é a verdade. A segurança, a defesa e as FA, sendo temas sobre os quais os cidadãos deveriam estar verdadeiramente informados, ao serem tratados por aqueles critérios, são de difícil leitura ou predispõem para a aceitação de ideias como as do elevado custo da organização militar, da sua resistência à mudança, da sua desnecessidade, etc., que obviamente não promovem o espírito de defesa que deveria existir, deformam a imagem da Instituição e afectam o moral daqueles que nela servem (…) A profissionalização da política, a apetência pelo poder, o desejo de cargos políticos, a importância dos votos que mais facilmente são obtidos através de promessas de um maior bem estar futuro e o calendário político que absorve as atenções e dirige a acção da política partidária secundarizam assuntos realmente de Estado, mas que não dão votos, como a segurança, a defesa, as FA (…) O espírito de defesa é uma forma de sentir dos cidadãos que os leva a constatar que há valores que devem ser defendidos, mesmo que para tal haja que fazer sacrifícios. Se este espírito de defesa for generalizado, as FA, que existem para, pelo combate, defenderem o nosso território, a nossa população e os nossos interesses, serão apoiadas física e moralmente; se tal não acontecer, começarão a sentir se como um corpo estranho na nação (…) Se for atingido o ponto de se aceitar que a defesa é desnecessária, teremos que concluir que um povo que pensa deste modo não merece ser defendido, ainda que isso signifique o ocaso de Portugal como Estado soberano. E este perigo pode vir a existir, se não houver por parte da Política medidas de carácter pedagógico sobre a cidadania e os valores a preservar.” Nota: artigo publicado na “Revista Militar”
General Espírito Santo:
A Lei do Serviço Militar representa o compromisso da Nação e dos seus cidadãos para a defesa da Pátria, estabelecendo a Constituição da República que “A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses” (Art 276º). A actual Lei do Serviço Militar (Lei n.º 174/99, de 21 de Set.), estabelece que “em tempo de paz, o serviço militar baseia se no voluntariado” e que esta disposição “não prejudica as obrigações dos cidadãos portugueses inerentes ao recrutamento militar e ao serviço efectivo decorrente da convocação ou de mobilização”. Acontece que este compromisso contratual não está a ser cumprido. Porque o voluntariado ainda não atingiu os níveis de efectivos necessários ao Sistema de Forças aprovado e porque quer o recenseamento, recentemente abolido, quer as normas reguladoras para a mobilização e convocação nunca foram definidas. Mais um compromisso quebrado (…) A Lei da Programação Militar constitui, em Portugal, um embuste. Primeiro porque o modelo de onde se foi copiar era uma Nação com uma sólida indústria de defesa, o que não é o caso português. A lei constituía um contrato, em tempo dilatado, para Estado, Forças Armadas e indústria de defesa assumirem compromissos entre necessidades operacionais e capacidade de produzir, garantindo postos de trabalho. Era essa a filosofia das leis de programação militar. Em Portugal, reconhecendo as necessidades de investimento numas Forças Armadas desajustadas ao ambiente estratégico e missões a desempenhar, mascarou se esse investimento – que podia ser inscrito anualmente no Orçamento – com promessas dilatadas no tempo, ultrapassando mesmo tempos de vida útil de armamentos e equipamentos, e que ou não são cumpridas ou são congeladas. E não vale a pena denunciar o não cumprimento do contrato, já que é o Estado o primeiro a colocar se ao lado das vozes que reclamam manteiga em vez de canhões, esquecendo as suas funções e razão de ser (…). Nota: artigo publicado na “Revista Militar”
General Rocha Vieira:
“Vivemos tempos de crise. São tempos de máscaras e aparências, em que se esquece o valor do serviço e o respeito pela realidade. São tempos que ignoram o passado da independência e anunciam um futuro sem liberdade” (…) É preciso reagir e saber escolher para ultrapassar o momento actual.” É tempo “para voltarmos aos valores essenciais, para defendermos a memória dos que construíram Portugal independente, para honrarmos a responsabilidade de deixar aos sucessores mais do que aquilo que herdámos dos que nos antecederam”. É preciso que os políticos assegurem a responsabilidade de “fazerem corresponder as missões que atribuem aos militares com os meios que põem à disposição dos que colocam em risco as vidas para as cumprir”.
Porém, há que equacionar diversas questões e é absolutamente imperativo que sejam ditas, preto no branco! O papel principal das Forças Armadas é o de defender o País. A intervenção pública das hierarquias militares levanta sinais preocupantes de claro descontentamento, que poderiam sugerir eminente revolta.
Estamos porém em Estado de Direito e em Democracia, por muito delapidadas que ambas as realidades se encontrem, à sombra desta espécie de “delambida” a que chamamos a República!
Estamos em crise?!… Sim estamos numa grave crise, a mais grave crise desde 1974. Mas os compromissos e a imagem internacional pública de Portugal ficariam em causa, se a instabilidade chegasse a um ponto de ruptura.
A prioridade não é a revolta! A prioridade é a reforma! E a reforma definitivamente não cabe à Estrutura Militar, mas sim e em absoluto à Sociedade Civil.
Nota: Autor, Eng. Luís Guerreiro
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• 8:12 pm 0
Relembrar a História é preciso! Tratado de Lisboa e a Soberania!
Quando se ouve os nossos Governantes todos contentes com a assinatura e ratificação do Tratado de Lisboa, é de dar um arrepio enorme na espinha de qualquer Português que se preze!
Vamos olhar um pouco para o passado, porque o que se está a passar hoje, também sucedeu em 1580, quando Portugal perdeu a sua Independência e só a resgatou 60 anos depois!
Os sinais da época falam por si. Dom Sebastião morreu na Batalha de Alcácer Quibir, em 1578. Sucedeu-lhe o seu tio-avô, o Cardeal-Rei Dom Henrique que reuniu as Cortes em Almeirim para tratar de resolver a questão da sucessão. A verdade é que a Sucessão nunca foi decidida nessas Cortes e entretanto o Cardeal-Rei morre, dois anos depois de subir ao Trono e o Rei de Espanha, ambicioso, e que tinha bem pago à maioria da nobreza portuguesa da época e algum clero para que Portugal fosse regido pelo monarca do Reino vizinho, este manda o Duque de Alba, invadir Portugal. O unico resistente, que jamais aceitou se subjugar à tirania estrangeira foi o Rei Dom António Prior do Crato, que, de facto, foi Aclamado Rei em Santarém e que durante 3 anos ainda resistiu ao domínio Espanhol, apesar de ter perdido na Batalha de Alcântara contra o Duque de Alba e se ter refugiado na Ilha Terceira, tendo depois partido para França onde já tinha preparada uma nova expedição quando entretanto morreu, sem conseguir salvar Portugal.
O que se falou naquela época é que devido ao desastre que foi Alcácer Quibir, e à decadência do Império Português no Oriente, a Prata sul Americana iria dar um novo alento a Portugal. Só que, obviamente, mesmo que Filipe II de Espanha, I de Portugal tivesse Jurado manter a integridade do Reino e os costumes, a língua e a moeda, a verdade é que os inimigos de Espanha passaram a ser os inimigos de Portugal, e portanto muitas carreiras da Índia foram assaltadas por piratas franceses, ingleses, holandeses e quando Filipe II perde com a sua “Armada Invencivel” a Batalha do Canal da Mancha, cujo objectivo era invadir a Inglaterra da Protestante Isabel I, abriu caminho para que Portugal e Espanha tivessem novos concorrentes nos mares, criando entrepostos comerciais e invadindo e atacando os nossos entrepostos comerciais em África, no Brasil – os Holandeses ocuparam durante algum tempo Pernambuco- e claro a instalações de entrepostos comerciais ingleses, franceses e holandeses na Índia e no extremo-oriente.
Esta situação levou obviamente a um grande descontentamento que teve o seu auge já durante a Guerra dos 30 anos e sobretudo com a Revolta da Catalunha em que o Governo de Madrid queria tropas Portuguesas para conter a rebelião naquela região. Foi a gota de água, depois do Conde-Duque de Olivares já ter querido transformar Portugal numa província de Espanha, tendo inclusivé eliminado o Conselho de Portugal que existia em Madrid, e ter aumentado os impostos para suster a guerra que a Espanha estava a travar na Europa.
Sendo assim, os Conjurados, um grupo de nobres patriotas Portugueses, pediram ao Duque de Bragança, Dom João II, para que aceitasse a Coroa dos seus antepassados, os Reis de Portugal. E assim foi. A 1 de Dezembro de 1640 o poder Espanhol em Portugal cai e a 15 de Dezembro, o novo Rei de Portugal, Dom João IV é aclamado em Lisboa.
Mas voltando ao que nos interessa neste artigo. As maravilhas do Tratado de Lisboa em contraposição ao que nos vai custar bem caro. Procura-se com o Tratado de Lisboa, uma Europa mais coesa, com uma grande solidariedade entre todos os Estados-Membros, a promoção das igualdades sociais, a prosperidade de todo o continente. Mas em contraposição, os Estados Membros que estão de acordo com este Tratado, note-se que a Polónia ainda tem reticências e que os Irlandeses, muito bem aliás, disseram não ao Tratado, obrigam-nos a aceitar que vamos perder a nossa Soberania nos Mares, vamos estar completamente dependentes de decisões vindas de Bruxelas, Normas Jurídicas que poderão aceitar ou não mudanças na nossa própria Constituição, criando uma verdadeira dependência de Portugal relativamente ao exterior.
E sendo que o nosso Primeiro-Ministro chegou a ter o desplante de dizer ao Presidente Hugo Chavez da Venezuela em conversa privada que a “economia portuguesa está estagnada”, não é de admirar, pois, que a unica solução encontrada por este Governo é entrar de mão beijada a Independência de Portugal e a Soberania do Estado.
Senhor Primeiro-Ministro, a Economia Portuguesa está estagnada, porque os vários governos desta III Republica não souberam governar Portugal. Aproveitando mal os fundos comunitários. Não afirmando a Economia Portuguesa nos mercados Europeu e Mundial, criando dependência externa e desemprego, levando à falta de confiança no futuro de Portugal.
Portugal um país com 800 e tal anos de História; uma História riquíssima, cuja Herança é de todos os Portugueses, tem tido governos que uns atrás dos outros, estão mais preocupados com a construção europeia, que ninguém entende o que é, do que com o verdadeiro desenvolvimento de Portugal que passa pela educação, saúde, justiça, reforma do Estado, saneamento da vida pública, aumento da produtividade, melhoria nas condições de trabalho dos nossos pescadores, em vez de dar os nossos mares às desenvolvidas frotas pesqueiras dos outros Estados-membros da UE, etc…
Não há solução para Portugal? Estamos assim tão cegos com a Construção Europeia que não somos capazes de olhar para o século XVI, em que perdemos a nossa Independência, precisamente porque se pensava na época como agora, que era melhor entregar Portugal ao Estrangeiro do que sermos nós a fazer pela vida e nos sabermos governar chegando mais uma vez ao cúmulo de entregar a nossa pátria ao Estrangeiro, que diga-se nunca gostou de Portugal, porque nunca aceitou os feitos gloriosos dos nossos navegadores e Reis?
Vamos aceitar, tamanha traição?
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Maio 31, 2009 • 11:37 pm 0
A única Esperança é mesmo SÓ a Monarquia
Estamos em plena campanha eleitoral e para não variar, nem um bocadinho sequer, os principais candidatos do “bloco central” gladiam-se como se a Democracia passasse a seguir a lógica que “aquele que é o mais forte e robusto vencerá”. Não há uma discussão de princípios. Estes políticos entretêm o povo com estas situações caricatas e sinónimas de um regime já em fase moribunda, que quer levar atrás de si toda uma Nação que remonta a mais de 800 anos de História.
Mesmo os Partidos considerados “pequenos”, mas para mim, numa Democracia não há partidos grandes e pequenos, há PARTIDOS, ponto! E nesse sentido, nesta Democracia que esteve com o PREC prestes a ser malcriada e leviana, assistimos a este triste espectáculo que são as eleições em Portugal, onde raramente se vê candidatos de outros partidos, sem serem sempre os mesmos, a debaterem. Aliás, estamos a 1 semana de irmos a votos, e os Portugueses ainda não perceberam em quê que vão votar, porque os “grandes partidos” que têm o lugar, à partida “garantido”, não se dão ao trabalho de explicar para que Europa estamos a caminhar.
Há pouco tempo, o PDR-Projecto Democracia Real lançou um artigo “Que Europa queremos nós?” e um vídeo que está no nosso canal e que pode ser visto!
Sabemos muito bem para onde a Europa está a caminhar. O Tratado de Lisboa vai impedir referendos a Tratados Europeus (clausula passerelle”) – uma contradição total com a Democracia e a Liberdade de Escolha dos Cidadãos Europeus; outra situação cinge-se às águas territoriais que deixaram de fazer do controlo nacional e passaram a ser controladas pela burocracia de Bruxelas. Como Portugal, já não tem, (por culpa de quem?) uma frota pesqueira competitiva, como chegou a ter em tempos, os nossos pescadores vão se ver numa situação extremamente difícil e insustentável.
Estes políticos que servem o sistema republicano, estão a iludir os Portugueses, mais uma vez, com promessas que não irão cumprir. Continuaremos a ver greves, manifestações sindicais, e o crime não irá diminuir, a educação vai piorar e estamos a chegar ao ridículo de ver criminosos a serem protegidos quando os inocentes que clamam por justiça, ficam pávidos e serenos a perguntarem-se “o que se passa com isto?”
Vários comentadores e ex-políticos, já vieram a público, como Medina Carreira e Vasco Pulido Valente, dizerem que, de facto, Portugal, estou certo que concordarão comigo, nunca desceu tão baixo. Nunca, em 800 anos de História – Pátria, descemos tão baixo!
Fazem-se jogatinas interessantes (nem por isso!) com os computadores Magalhães para entreter as crianças que na Primária devem, sim, aprender a escrever, a ler e a contar! Permite-se agora, para mostrar o “sucesso escolar em Portugal” que se passe de ano, mesmo com as piores notas que se possa ter até concluir o 12.º ano (!!!????). ISTO É UM PAÍS SÉRIO? E já inventaram um sistema absolutamente inacreditável, que são os “Centros Novas Oportunidades”. Sabem do que se trata? Eu digo-vos! Porque, infelizmente, eu próprio, para viver, tenho que dar formação num deles! Os formandos, sejam os que querem ter o 6.º ano, ou o 9.º ano e finalmente (?) o 12.º ano, em 6 meses, têm que abordar as suas Histórias de Vida, fazendo sobressair as suas competências, e ponto! Claro que há regras de avaliação definidas, mas não há oportunidades, no sentido, de esses mesmos formandos terem acesso a módulos de Português, Matemática, Informática, História, Geografia, etc…. Ou seja, o caro leitor, ficará espantado ao saber, que as pessoas, que obviamente têm todo o direito a ter o 12.º ano, mas que o deveriam fazer, no ensino secundário nocturno ou serem integrados nas turmas diurnas, (não me chocaria, na faculdade tive colegas bem mais velhos do que eu; excelentes aliás!), ficam na mesma em termos de cultura geral. Os cursos não ensinam praticamente nada. E o mais espantoso, é que há pessoas que querem seguir para o Ensino Superior! Pergunto: Com que bases?? Com que preparação??
Enfim, valha-nos Deus….
A nível económico nunca descemos tão baixo. Portugal tem uma dívida externa assustadora, fruto de receber vários Fundos Comunitários da UE e não os soube aproveitar no momento certo, para desenvolver a nossa Agricultura, as Pescas, a Indústria, o Comércio, a Educação, a Saúde, a Justiça, a Segurança Interna, a Cultura, enfim áreas de Governo, absolutamente vitais para sermos um País na senda do Desenvolvimento Sustentável, com uma economia próspera e melhores salários e pensões!
E agora pergunto aos Portugueses: Sejam honestos e sinceros convosco próprios e respondam-me: Ainda acreditam que ao fim de 3 Republicas, vale a pena acreditar no sistema Republicano?
Portugueses,
Olhem bem para o Nosso País! É este País que querem? Com esta classe dirigente que já tem os lugares “cativos” e não vai mudar nada, porque lhes falta uma Autoridade que só a Instituição Real pode dar?
Olhemos para Espanha! Sim, é verdade, que a nível económico as coisas, fruto também da crise internacional, não estão a correr bem. Mas olhem para a autoridade (não confundir com autoritarismo) do Rei e da Família Real que dá esperança aos Espanhóis num futuro melhor e que as crises serão ultrapassadas. Aqui, o nosso Presidente da Republica chega a dizer que “está solidário com a situação de uns empregados (à beira de perderem o emprego) mas não tem soluções”! Isto é grave, vindo do Chefe de Estado. Pessoa que respeito, sem dúvida, pelo seu Curriculum e pelo facto de ser o Presidente da Republica, assim como respeito os nossos representantes parlamentares e o Governo. Mas não estou satisfeito com esta resposta do Sr. Presidente da Republica! Um Chefe de Estado não pode permitir que o seu povo baixe os braços! Não pode permitir o conformismo!
Sem dúvida, que a figura de um Rei, numa Monarquia Parlamentar e Democrática daria um novo ânimo a todos nós Portugueses. A Autoridade Real impede sonhar alto na classe política para atingirem a Chefia do Estado. Impõe autoridade ao serviço do bem comum de todos os cidadãos! É isto que eu como Monárquico desejo para Portugal.
Nós não precisamos da Republica para nada! A Republica Portuguesa gasta 8 X mais do que a Monarquia Espanhola. Um País, como o nosso, não pode sustentar um Regime tão caro! Que ainda agora, recentemente, renovou o parque automóvel da Assembleia da Republica! BMW topo de gama! O que é isto???
Se se é republicano apenas para ter o direito a ser candidato e o direito em escolher o Chefe do Estado. Lamento, mas é um argumento que não pega, dado o estado em que se encontra Portugal! Os Portugueses não precisam de gastar dinheiro em eleições presidenciais! Nem se devem preocupar em quererem ocupar o cargo da Chefia do Estado!
Abdiquemos todos nós Portugueses, dessas duas prerrogativas, para bem do nosso querido País! Não sejamos apenas patriotas quando joga a Selecção Portuguesa de Futebol. Sejamos Patriotas todos os dias e preocupemo-nos cada vez mais com estas situações, porque temos o direito, acima de tudo, de querer viver melhor, dar um futuro melhor a filhos que tenhamos ou venhamos a ter.
Portanto, a única esperança, é mesmo só a Monarquia. A Única Esperança está em Dom Duarte de Bragança, o nosso Rei, descendente de Dom Afonso Henriques, o nosso Fundador, descendente do Santo Condestável, aquele que nos afirmou como Portugueses, descendente de Dom João IV que resgatou a nossa Independência e nos voltou a dar a nossa Liberdade! Descendente de Dom Pedro IV e do Rei Dom Miguel, tão diferentes na política, mas cuja descendência por um lado de Dona Maria II e descendência até Dom Manuel II, sempre respeitaram a Monarquia Constitucional e foram excelentes Monarcas Constitucionais. E do lado de Dom Miguel I e sua descendência, que com o fim da I Guerra Mundial e sobretudo da II Guerra, passaram a viver de uma forma honrada mas humilde, nunca se esquecendo de Portugal e dos Portugueses.
O amor à Pátria sempre tão vivo na Família Real Portuguesa, hoje representada por Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte de Bragança, em quem todos os Portugueses devem confiar o futuro de Portugal, na Chefia do Estado. Depois será a vez de Sua Alteza Real Dom Afonso, Príncipe da Beira, que está a ser preparado para um dia se os Portugueses o chamarem, ser o Rei sucessor de Seu Pai.
A Republica terá que salvar Portugal, permitindo o referendo Institucional abrindo as portas a uma transição pacífica e democrática para a Monarquia Parlamentar.
A nossa Esperança, é sem dúvida, Dom Duarte de Bragança. Viva o Rei!
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Maio 6, 2009 • 10:25 pm 0
Revitalizar a Mensagem Monárquica
Tenho estado a reflectir sobre novas formas de fazer passar a mensagem monárquica aos portugueses e realmente creio que já não devemos apenas nos restringir à questão do regime propriamente dita, mas também aos problemas concretos do País.
Lembro-me do Grande Arquitecto Paisagista Gonçalo Ribeiro Telles que além de Monárquico também esteve em Governos desta III Republica, para servir o seu País de uma forma brilhante como toda a gente reconhece.
Os Monárquicos não podem mais só se agarrarem à Doutrina Monárquica e à Lealdade à Família Real. Certo são principios imprescindíveis. Mas o que realmente poderá ajudar na Restauração da Monarquia em Portugal é, efectivamente, haver organizações como o Instituto da Democracia Portuguesa que se preocupa com os problemas do País Real e tem especialistas em várias áreas a estudarem os problemas que o nosso País padece.
A Administração do Projecto Democracia Real não pode descurar a hipótese de contactar o Instituto da Democracia Portuguesa assim como não pode descurar a hipótese de contactar dirigentes das Reais Associações, como de Lisboa.
É importante que as pessoas entendam que o Projecto Democracia Real não é nenhum Partido, Nenhum Movimento. É um conjunto de pessoas voluntárias, apenas e só.
O PDR JORNAL foi integrado no Conselho dos Fóruns do IDP, pelo simples facto de que iremos receber artigos de importância e, naturalmente, o espaço em causa ficará mais rico em conteúdos, sobre o País Real.
A Monarquia só será restaurada quando os Portugueses entenderem o quanto ela é e pode ser útil ao futuro do País. E essa missão cabe a todos os Monárquicos.
Servir o País é o dever de todo o Monárquico que se preze. Cada um pode servir o seu País, a sua comunidade, de acordo com as suas possibilidades. Façamos por isso. Façamos pela mudança absolutamente necessária ao futuro das próximas gerações.
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