PDR – PROJECTO DEMOCRACIA REAL

AS ELEIÇÕES POR ARTUR DE OLIVEIRA

Vamos ter tempos instáveis, mas nós os monárquicos estaremos de olho… Face aos resultados é a nossa chance de intervir com mais força na sociedade… É uma opurtunidade que não poderemos perder… O século XXI é a nossa opurtunidade… Vamos à luta, confrades! Sejamos inovadores, tenhamos muita imaginação, adaptemo-nos a estes tempos e venceremos… Por Portugal e pelo Rei!

Filed under: Administração, Causa Monárquica, Centenário da Republica, Cidadania, Democracia, Efemérides, III republica, Partidos Políticos, Portugal, Portugal Continental e Regiões Autónomas da Madeira e Açores, Portugal Ibérico, Presidência da Republica, República Portuguesa, Sociedade , , , , , ,

Se o 5 de Outubro de 1910 tivesse sido útil para o País… – David Garcia

Estamos cada vez mais perto do 5 de Outubro de 2009 e não posso deixar de congratular-me com as iniciativas Monárquicas previstas para Coimbra e Lisboa, ambas de grande importância.

Em Coimbra, os Monárquicos irão celebrar o outro 5 de Outubro, o de 1143, em que se celebra a Independência e a consequente Fundação do Reino de Portugal, reconhecido por Afonso VII de Leão e Castela ao assinar o Tratado de Zamora, que, naturalmente, reconheceu Dom Afonso Henriques Rei de Portugal, Soberano Independente.

Em Lisboa, os Monárquicos irão procurar dar uma prova de força e de militância – que espero sejam muitos a aderirem – lembrando, que o 5 de Outubro de 1910,  não passa de um equívoco na História de Portugal e que foi, verdadeiramente o entrave ao nosso progresso, em Democracia Real, que poderia ter sido até aos nossos dias e no futuro.

Graças a este último 5 de Outubro de 1910, Portugal teve 16 anos de uma I Republica que se denominada “Parlamentar”, que pressupunha ser Democrática; na verdade houve inúmeros atentados, crises governativas constantes e por conseguinte uma grande instabilidade política.

Sucedeu-lhe a Ditadura Militar que durou de 1926 a 1933 e neste ano, foi promulgada e levada a Referendo (a única Constituição Republicana levada a Referendo, curiosamente) a Constituição da II Republica que daria início ao denominado “Estado Novo”, que não foi mais do que a Ditadura Conservadora que durou durante 48 anos. Criou estabilidade política, é um facto, mas a um preço, retirando a Liberdade de opinião e reunião e de pensamento, aos Portugueses. Teve um forte crescimento económico nos seus últimos anos, mas não teve a visão estratégica necessária para resolver o problema do Ultramar, não conseguindo evitar a Guerra em África e as suas terríveis consequências, não só para os Portugueses mas também posteriormente às independências das antigas Províncias Ultramarinas, a Guerras Civis em Angola e Moçambique e problemas graves em Cabinda, na Guiné-Bissau, Timor-Leste e já para não falar que começou tudo com a tomada de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana e consequentes perdas humanas para Portugal.

Seguiu-lhe com a Revolução do 25 de Abril de 1974, algo verdadeiramente espantoso. O sector económico, em grande parte foi nacionalizado e muitas fábricas, herdades e pequenas propriedades foram ocupadas, logo em 1975. O País mergulhou no caos, de um lado o Partido Comunista e a UDP e do outro, a frente dos que queriam uma Democracia de carácter ocidental. Na verdade, a Constituição que foi aprovada em 1976, ainda manteve até 1982 o chamado Conselho da Revolução. E só depois da sua abolição, é que Portugal caminhou, efectivamente, para uma Democracia. Regime este, no qual vivemos e ao qual lhe falta uma visão estratégica global para Portugal enfrentar os desafios do futuro.

A política de abandono das antigas Províncias Ultramarinas, sem qualquer proveito para Portugal, demonstra desde logo, que os que tomaram o poder após a queda da II Republica, começaram logo por acabar com o orgulho em se ser Português. Não tiveram a visão suficiente para evitar danos materiais irreparáveis para inúmeras famílias portuguesas que viveram em África. Não tiveram a visão suficiente para auxiliar condignamente todos aqueles que regressaram do campo de batalha e que ainda hoje sofrem com essa falta de atenção, que é revoltante em termos humanos.

Por outro lado, a nível político, temos um sistema semi-presidencialista que permite ao Presidente da Republica se intrometer e dar opiniões pessoais ou tomar decisões pessoais sobre políticas governativas. Ao contrário do que alguns defendem, não tem havido uma verdadeira estabilidade Política em Portugal desde há muitos anos. Cada governo que se sucede é tanto ou pior que o seu antecessor. Quando o Partido Socialista ganha as eleições, destrói o que o Partido Social – Democrata fez enquanto governo, e vice-versa. Isto é um regime de “bola de ping pong”. Acusam-se uns aos outros dos problemas de Portugal, mas não conseguem reconhecer que de ambos os lados cometeram-se erros muito graves.

Portugal não tem praticamente economia. Vive dos serviços e dos subsídios vindos da União Europeia. Portugal não produz a nível agrícola, de uma forma competitiva e inteligente. Portugal não tem uma frota pesqueira para competir com as outras frotas pesqueiras da União Europeia. Vivemos da pesca artesanal. A nível escolar, as sucessivas reformas na educação, não fizeram mais do que agravar o problema. Concordo com a avaliação dos Professores assim como concordo com a avaliação de todos os trabalhadores seja na função pública ou privada. Não é só durante o tempo que somos estudantes que devemos ser avaliados, é também profissionalmente. É algo perfeitamente normal.

Este regime permite que os Sindicatos, que acho bem que existam, tenham influências político-partidárias. Os Sindicatos não devem servir os interesses partidários. Devem servir os interesses dos trabalhadores e portanto devem ser totalmente independentes! De modo a que, em consciência possam convocar uma greve, não porque convém ao partido A, B ou C, mas porque é realmente do interesse dos trabalhadores como sendo um acto justo de protesto. O mesmo para as manifestações.

Com tudo isto, temos um crescimento económico reduzido e um endividamento externo assustador. Queremos, pelas sondagens, tendo em conta que estamos num período eleitoral, continuar neste caminho. O caminho do facilitismo nas escolas, o caminho das grandes obras públicas – “obras de país rico a cobrir realidades de terceiro mundo”, citando Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte de Bragança.

Fazendo uma avaliação concreta a este, quase, I Centenário da Republica ou da Proclamação da Republica (os republicanos ainda não se decidiram, qual dos dois devem festejar; se for o primeiro terão que engolir 48 anos de Ditadura!!, o que para eles é muito mau, porque segundo eles, a Democracia confunde-se com a Republica; estranho por terem havido durante o século XX e ainda hoje em alguns países do Mundo, republica autoritária que violam diariamente os direitos humanos), devo dizer que só o facto de nunca ter havido um Referendo sobre a questão Monarquia ou Republica, já de si, é uma imposição constitucional, verdadeiramente inaceitável, isto se Portugal realmente se considera estar dotado de um regime democrático e livre. Por outro lado, ao ver Portugal cada vez mais com casos de corrupção, suspeitas de escutas ao mais alto nível do Estado, processos judiciais que nunca acabam ou quando acabam, os poderosos são presos “sob pena suspensa” (alguém me explique o que é isto)… Só podem, de facto, estar a brincar, com o Povo Português, contribuinte deste sistema político.

n110047650610_3758

Por tudo isto, concordo com a frase do Senhor Dom Duarte: “Se o 5 Outubro tivesse sido útil para o País, não era preciso fazer-se o 25 de Abril”. Querendo dizer com isto, que obviamente a interrupção da Monarquia Constitucional foi a causa de todo o nosso atraso e que a I Republica foi a origem principal da Ditadura de Salazar e Caetano – a II Republica. Recuperar a “velha ética republicana”, com origens no primeiro sistema constitucional republicano, é algo de errado, profundamente anti-patriótico, e com claras tendências iberistas. É bom lembrar que a actual bandeira nacional, quando foi aprovada, não tinha o significado que muitos no tempo de Salazar aprenderam nas Escolas. O significado inicial do verde-rubro era e é, que o verde significaria Portugal e o rubro Espanha, sendo a parte maior da bandeira. E, portanto, a ideia desta bandeira seria provocar a queda da Monarquia Espanhola e colocar Portugal à frente de uma Republica Federal Ibérica com muitos maçons a comandarem os destinos da Ibéria. Não esqueçamos as diligências do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, Magalhães Lima, a Londres, para procurar evitar a todo o custo, o casamento do Rei Dom Manuel II com uma Princesa da Casa Real Britânica. Não esqueçamos também as N conspirações desse senhor contra a Monarquia, fora de Portugal e só regressou depois da Republica ter sido proclamada! Mas também não esqueçamos que, o Duque de Connaught, Grão – Mestre da Maçonaria Inglesa, irmão do Rei Jorge V, foi de facto quem conseguiu impedir o Casamento de Dom Manuel II, depois de uma delegação republicana ter ido a Londres, a Downing Street perguntar aos Governantes Britânicos qual seria a posição Britânica relativamente à hipótese de uma Republica em Portugal. A Aliada Britânica foi clara, afirmando que a Aliança com Portugal não era uma aliança de Dinastias mas uma aliança de povos, descansando os republicanos, portanto!

A Monarquia Portuguesa foi interrompida, não só graças ao Regicídio que vitimou um Grande Rei e um Promissor Príncipe Herdeiro, mas também caiu graças aos conspiradores e ambiciosos Monárquicos que alguns até se juntaram aos republicanos já durante a Republica e ocuparam cargos importantes, desde o Congresso Republicano até outros cargos de importância. Um Monárquico até foi Presidente da Republica, o Almirante Canto e Castro. A Monarquia também caiu devido a inúmeras conspirações da Maçonaria, naquela época. O que estou a dizer, não é nada de novo. Há diversos livros que falam disso!

Portanto, finalizando, a Republica Portuguesa, no seu todo, com 16 anos de anarquia, 48 de ditadura e 35 sem um projecto galvanizador e unificador da sociedade portuguesa e com todos estes “casos”, não creio que dure muito mais tempo. É tempo dos Monárquicos mostrarem aos Portugueses que uma Monarquia Parlamentar e Democrática, é a melhor solução para combater as graves crises, éticas, morais, económica, social, etc… de que o País padece.

Portugal perdeu 100 anos de desenvolvimento e de estabilidade política que só uma Monarquia pode dar!

VIVA O REI!

VIVA PORTUGAL! 3997247_U6s3I

Filed under: A palavra do Administrador, Causa Monárquica, Causa Real, Causa Real e Reais Associações, Centenário da Republica, Cidadania, Combatentes de Portugal, Democracia, Democracia Real - Doutrina, Dom Duarte de Bragança, Duque de Bragança, Educação, Família Real Portuguesa, III republica, Lisboa, Partidos Políticos, Portugal, Portugal Continental e Regiões Autónomas da Madeira e Açores, Portugal Ibérico, Presidência da Republica, Reais Associações, Regicidio, República Portuguesa, Sociedade, direitos humanos , , , , , , , , , , , , , , ,

As Escutas na Presidência

A soberania reside no povo maçónico, que soberania?

"A soberania reside no povo maçónico", que soberania?

O caso das escutas na Presidência da República Portuguesa, vem demonstrar como as instituições da República são fracas, não garantem a coesão nacional, são alvo de conflitos entre os detentores dos cargos colocando, assim, em xeque a imagem de Portugal no exterior e face aos principais parceiros europeus.

Mas todas as questões acima referidas seriam eliminadas de uma só vez se a Chefia de Estado foi exercida através de uma Monarquia e existisse um Parlamento bi-Cameral, pelo que passo a explicar:

  • Sendo a Chefia de Estado exercida por um Monarca, que por inerência do cargo é imparcial, independente de forças partidárias e não podendo exprimir opinião política, deixa de ser alvo de disputas partidárias, não se envolvendo nas mesmas. Algo que é totalmente impossível dentro da República Portuguesa, uma vez que nos últimos meses e dados os sucessivos vetos presidenciais às Leis feitas pelo Governo, o conflito institucional tem vindo a agravar-se. Sendo que com os apoios certos (GOL e SIS, de acordo com José Maria Martins) o governo socialista-iberista de José Sócrates tem vindo a construir um ataque velado ao Chefe de Estado social-democrata.
  • A introdução de uma Câmara Alta no parlamento português e eleita a meio da legislatura da Câmara Baixa teria servido de bloqueio à “ditadura” da maioria absoluta socialista, permitindo um maior equilíbrio entre as relações entre Governo e Chefia de Estado, esse equilíbrio seria ainda maior se a Chefia de Estado fosse exercida através de um Monarca.

As escutas da Presidência são fruto de um sistema nascido da Carbonária e da Mançonaria Republicana, mantido pela última que tudo faz para manter no poder os iberistas e federalistas eurpeus, como é o caso do Partido Socialista que tudo tem feito para dominar a opinião pública e propagandear os seus (mal-)feitos.

in Patriota Funchalense

Filed under: Democracia, Partidos Políticos, Portugal, Portugal Ibérico, Presidência da Republica, República Portuguesa, monarquia portuguesa , , , , ,

Portugal não pertence a Espanha!

Os espanhóis vão avançando e ninguém diz nada… Olivença diz-lhe alguma coisa?!
Olivença é portuguesa e não espanhola!
As Selvagens são portuguesas e não espanholas!
Parece que é importante dizer e referir isso, os espanhóis têm a memória curta.

Filed under: Economia e Finanças em Portugal e no Mundo, Política e Relações Internacionais, Portugal, Portugal Ibérico , , , ,

Monarquia Espanhola mais barata que a Republica Portuguesa

À parte o início da reportagem que fala de grupos minoritários contra a Monarquia Parlamentar em Espanha, a verdade é que a maioria dos Espanhóis é a favor da manutenção da Monarquia.

Se têm gratidão pelo Rei Juan Carlos, por lhes ter dado a Democracia, seguramente terão confiança nas palavras do Rei, quando já o afirmou várias vezes, que a subida ao Trono do Príncipe das Astúrias, um dia, será a melhor garantia do futuro e da continuidade da unidade da Espanha e da Democracia.

Não deixa de ser preocupante para um País como Portugal, com um endividamento tão grande, ainda ter que suportar um sistema tão caro.

Filed under: Causa Monárquica, Causa Real, Centenário da Republica, Cidadania, Democracia, Economia e Finanças em Portugal e no Mundo, III republica, Monarchy, Monarquia na Europa, Multimédia Monarquias Europeias, Política e Relações Internacionais, Portugal, Portugal Ibérico, Presidência da Republica, República Portuguesa, Sociedade , , , , , , , , , , ,

SS. MM. os Reis de Espanha visitam a Madeira

A convite do Presidente da República, os Reis de Espanha, D. Juan Carlos e D. Sofia, efectuarão uma visita à Região Autónoma da Madeira, de 30 de Julho a 1 de Agosto próximos, acompanhados pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva e Dra. Maria Cavaco Silva.

Esta visita realiza-se no seguimento da deslocação que os soberanos espanhóis efectuaram à Região Autónoma dos Açores, em 2005, e permitirá aos Reis de Espanha melhor conhecerem a realidade das Regiões Autónomas Portuguesas.

O programa da visita incluirá contactos com as autoridades regionais e locais, bem como visitas a várias instituições, na Região Autónoma da Madeira.

Fonte: Site da Presidência da República

Artigo de: Alquimista Real

Filed under: Monarchy, Monarquia na Europa, Portugal Ibérico, Presidência da Republica, República Portuguesa , , , , , ,

Vasco Pulido Valente “enterra” o regime republicano em entrevista ao CM

Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:

«Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.»

«Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República!»

Vasco Valente Correia Guedes, conhecido por Vasco Pulido Valente, nasceu em Lisboa no dia 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa e doutorou-se em História em Oxford. Historiador, ensaísta, escritor e comentador político, lança nesta semana mais um livro sobre a história de Portugal.

(13 de maio de 2009)

Vasco Pulido Valente “enterra” o Centenário da República

Vasco Pulido Valente e o “regime terrorista” ouvir aqui :

http://radioclube.clix.pt/player/silver/?sound_id=13260

Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:

ARF – Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?

VPV –

ARF – E porque é que se comemoram os 100 anos?

VPV – Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.

ARF – Coreia do Norte e outros.

VPV – Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.

ARF – Vai participar nessas comemorações, já foi contactado?

VPV – Não.

ARF – Não foi porque tem essas opiniões?

VPV – Não.

ARF – Não convém às comemorações dos 100 anos?

VPV – Não sei se convém ou não convém. Mas compreendo que pessoas que queiram comemorar não me queiram. Mas houve uma senhora deputada que me veio falar em nome do senhor presidente da Assembleia da República. E eu expliquei à senhora deputada que já não tinha idade para receber recados por interposta pessoa do doutor Jaime Gama, que eu conheço desde os 18 anos. Portanto, se o doutor Jaime Gama me quiser falar não tinha mais que agarrar num telefone e telefonar-me. Não telefonou mais. E foi o único contacto que eu tive. Lembrei-me agora.

LC – Na sua opinião não devia haver comemorações?

VPV – Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.

ARF – Exactamente.

- Não é um período particularmente brilhante na nossa história e acho bem que não me convidem. É uma coisa que obviamente não estou na disposição de comemorar.

ARF – A propósito disso, a revolução do 28 de Maio de 1926 não nasceu do nada. Havia pessoas concretas e interesses concretos que fizeram esse golpe.

- Eu não gosto muito dessa linguagem dos interesses. O problema que se pôs à República é o problema que se põe a todos os movimentos revolucionários. É que os movimentos revolucionários ou mantêm a sua parte revolucionária, isto é, a sua parte terrorista e não conseguem governar, suscitam uma resistência contínua e não conseguem governar, ou então põem na ordem os seus próprios terroristas, os grupos que os apoiam, e são imediatamente submergidos pelas forças conservadoras. O velho dilema entre fazer a revolução e governar pôs-se para a República. E a partir de 1923, 1924 a República, depois de ter chegado ao cúmulo da anarquia, tentou fazer um caminho para a estabilidade e fortalecer a parte de Governo. Para isso apoiou-se em quem? Apoiou-se no Exército e quando o Exército se viu com o poder todo nas mãos evidentemente liquidou a República.

ARF – E vem Salazar na sequência disso.

- E acontece Salazar na sequência disso.

ARF – E Salazar manteve uma ditadura.

- O Salazar viveu numa ditadura militar. Sem o Exército não teria governado.

LC – Vamos dar um salto de 50 anos. Diz que o 25 de Abril não foi uma revolução e que acabou por não transformar a sociedade portuguesa.

- Não foi uma revolução. As pessoas apareceram nas ruas. Não havia movimentos sociais que impusessem o 25 de Abril. O 25 de Abril começou por ser um movimento corporativo, cresceu como movimento corporativo e só depois de ter ganho é que apareceram movimentos sociais, alguns espontâneos, outros nada espontâneos. A satisfação, o entusiasmo pelo fim da ditadura foi espontâneo, daí em diante tinha de analisar cuidadosamente o que foi espontâneo do que foi organizado. Mas não havia nenhum movimento social prévio, a não ser na imaginação de alguns esquerdistas e talvez do PCP, que impusesse o 25 de Abril.

LC – Havia uma oposição organizada.

- As pessoas em Portugal naquela altura não queriam fazer uma revolução. Queriam ir para França ou para a Alemanha. É preciso perceber isso. Não haviam nenhumas condições revolucionárias. As pessoas não queriam fazer uma revolução, não queriam vir para a rua, não queriam nacionalizar nada, não queriam ocupar terras nenhumas. Queriam pegar na mítica mala de cartão e ir para França onde ganhavam mais e melhor. Estavam fartas de miséria, não queriam distribuir miséria nenhuma, não queriam colectivizar a miséria portuguesa. Queriam ir-se embora.

ARF – Isso foi um sonho falhado do PCP, que imaginou que ia fazer em Portugal uma revolução.

- O PCP tinha o seu programa de colectivizar a miséria que o doutor Cunhal aplicou com uma cegueira absoluta.

ARF – Porque não conhecia Portugal?

- Não conhecia Portugal, não estava há muito tempo em Portugal e antes tinha estado preso em Caxias, ainda por cima grande parte dessa prisão em isolamento. Mas não conheceu em Portugal, não fazia a menor ideia. Por isso é que ele se conservou tão puro, tão intransigente, tão…

ARF – Dogmático?

- Tão hostil ao eurocomunismo, ao Carrilho e aos italianos. Começaram a perceber que aquelas receitas já não se podiam aplicar a sociedades tão complexas. Por um lado o Cunhal não tinha a experiência dessa complexidade e por outro lado Portugal era de facto uma sociedade muito mais atrasada do que a sociedade francesa, espanhola, mesmo a espanhola, ou italiana. De maneira que o doutor Cunhal convenceu-se que o movimentarismo das ideias dele era equivalente, era um bom reflexo do movimentarismo da sociedade portuguesa.

ARF – Mário Soares foi o grande homem destes anos depois de 1974?

- Foi o homem que percebeu que para haver uma modernização, ou seja, uma compatibilização de Portugal com a Europa, era preciso democracia. Acabar com o império e era preciso democracia.

ARF – Sá Carneiro não foi também importante nesse processo?

- Sá Carneiro não conduziu esse processo e Sá Carneiro não percebeu esse processo a tempo. E que esse processo para ter sucesso era preciso que estivesse associado a forças políticas na Europa. Que as forças políticas internas que havia a favor da democracia eram fracas. Os militares nunca foram grandes democratas nem por vocação nem por educação, o País estava longe de ser democrata, tinha da democracia a ideia mais vaga, havia um PCP relativamente forte, as forças de direita estavam desacreditadas e era preciso que houvesse uma força democrática capaz de impor a democracia. E que essa força democrática tinha de ser uma força ligada às forças democráticas europeias. A esquerda em Portugal, antes de 25 de Abril, discutia a teologia do marxismo. Até o doutor Álvaro Cunhal discutia a teologia do marxismo. Não se discutia Portugal. Discutia-se se os loucos pequenos burgueses tinham fachada socialista ou não tinham, se o PCP era de facto um partido marxista-leninista ou não era, quem era quem, quem eram os autênticos marxistas-leninistas, os verdadeiros revolucionários. Era isso que se discutia há anos. Enquanto essas pessoas andaram aí a discutir estas coisas tão importantes, o doutor Mário Soares foi à Internacional Socialista e fez um Partido Socialista com cabeça, tronco e membros. E apareceu com o PS e isso é que alterou tudo. Além do comportamento exemplar que teve no processo. Exemplar, inteligente e de um enorme talento, ia mesmo dizer génio, estratégico. Mas ele começou muito antes, ele viu o problema muito antes, não veio aqui e improvisou aquelas coisas.

LC – Disse que se estivesse no lugar de José Sócrates se demitia, que não teria condições para ocupar o cargo. Acha que José Sócrates não tem condições?

- A premissa está errada. Se eu estivesse, eu nunca estaria no lugar de José Sócrates. Isso é uma coisa de imaginação, chamada de imaginação histórica. Mas contando que é um acto de imaginação histórica eu, de facto, se estivesse no lugar de José Sócrates preferia perder as eleições e ir para casa.

LC – Mas porquê?

- Porque ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora.

ARF – Exacto.

- Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou.

LC – Considera a maioria absoluta essencial para o País? Prevê um período de instabilidade se o PS não tiver maioria absoluta?

- Eu não prevejo, eu suspeito que o PS não vai ter maioria absoluta.

LC – Isso é um problema?

- Pode ser que seja um problema, mas não considero que seja um drama. A gente não pode estar a voltar ao partido único com duas cabeças, bicéfalo, o PSD e PS, para a necessidade que agora se está a querer fazer passar de que é preciso uma maioria. Ou seja, nós só podemos viver com partido único. No fundo, o que nos estão a dizer é que nós só podemos viver com um partido único.

ARF – Só somos viáveis com um partido único.

- Portugal só é viável com um partido único. Eu recuso-me a aceitar isso.

LC – Encontra alguma possibilidade, ou haja que é desejável, de alianças no próximo mandato?

- Eu não sei, não sou político, falta-me muita informação sobre o estado do País. Também falta aos políticos, é verdade que sim, mas eles têm maneiras de as arranjar mais facilmente do que eu. Falta-me informação sobre o estado do País, falta-me informação sobre o estado dos partidos, que eles com certeza têm. E só com essa informação é que eu poderia dizer que certas alianças são ou não possíveis.

LC – No caso do PS, historicamente, a coisa não tem resultado bem.

- Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso.

fonte:
http://www.correiodamanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229&contentid=3B59DE73-9021-4FB3-B470-50FC2DDD4B3E

Filed under: Centenário da Republica, Democracia, Educação, Efemérides, Entrevistas, III republica, Partidos Políticos, Portugal, Portugal Continental e Regiões Autónomas da Madeira e Açores, Portugal Ibérico, Portugal na Europa e a União Europeia, Portugal no Mundo, monarquia portuguesa , , , , , , , ,

ENTREVISTA A HERNÂNI CARVALHO

uphoto-de225465HERNÂNI CARVALHO é o meu Entrevistado, depois de termos entrevistado há uns mêses Paulo Teixeira-Pinto, Presidente da Causa Real, O JORNAL, volta às Entrevistas. Hernâni Carvalho é um dos jornalistas portugueses mais premiados. Esteve na Bósnia, debaixo de fogo, em Timor, cuja experiência lhe valeu a escrita de um livro, e mais recentemente, esteve no Afeganistão. Arriscou várias vezes a vida, chegando por vezes a sítios onde mais nenhum jornalista conseguia chegar. Hoje participa semanalmente no programa da TVI “Você na TV”, na rúbrica CRIME DIZ ELE.

1- Estando Portugal perto de completar 865 anos de existência, no próximo 5 de Outubro, pergunto-lhe o que é para si, em pleno século XXI, ser Português?

É pouco mais do que esperança. É tudo quanto nos resta. Muitos calam-se, os bons partem e os mediocres continuam a governar e a decidir. Culpa de todos nós, é claro.

2- Que análise faz às 3 Republicas Portuguesas, tendo em conta que também no próximo dia 5 de Outubro, serão as comemorações dos 98 anos da Proclamação da Republica?

A primeira foi a vingança dos miseráveis. A monarquia liberal tinha muito mais representatividade, por exemplo no parlamento, que a primeira Republica teve. Veja-se, nesses dias, quem perdeu direito de voto e quantos. A própria ideia de imperio nasce por essa altura.  A segunda fechou-nos e isolou-nos à modernidade e ao desenvolvimento. A terceira prometeu, prometeu, mas os homens do Maio de 68, chegados ao governo são um flop. Em toda a Europa.

3- Para si, o que é mais importante? Celebrar a Fundação do País ou a Republica? O que é que para si deveria unir mais os Portugueses?

Importante é celebrar Portugal. O que nos devia unir é a globalização. Estamos a ser despidos das tradições que nos fizeram crescer. Estamos a ser normalizados

4- Faz sentido, hoje, em pleno século XXI, ser-se Monárquico e defender-se este ideal?

Faz hoje mais do que nunca!

5-      Procurando, eu, sempre que posso, ver a sua rúbrica na TVI “Crime diz ele”, que comentário faz ao nosso sistema de Justiça?

Quando ocorreu o 25 de Abril de 74, oito por cento dos portugueses sabia que aquele edifício estava podre e vivia da impossibilidade de o povo ter direito à Justiça. Hoje sabem-no provavelmente oitenta e oito por cento dos portugueses. A miséria é maior agora. A título de exemplo, por aqueles dias de 74, os juízes fascistas que presidiram a tribunais plenários onde o direito a liquidar uma pessoa era quase pleno, foram administrativamente reciclados em vinte e quatro horas. A 26 de Abril desse mesmo ano, os mesmo juízes foram reciclados administrativamente e transformados em exemplares e democratas cidadãos e de novo colocados no pedestal a decidir a vida das pessoas que pedem justiça. Temos leis a mais e eficácia quase nula.

6- É apologista da Prisão Perpétua?

Sou apologista de penas eficazes e, sem pudor, assumo que uma pena deve ser um castigo e não uma reinserção, ao contrário do que defendem os modernistas da filosofia do direito. Isso não existe nem no eden. As raras excepções não dependeram do sistema. Falar em reinserção na prisão é ser calvinista e hipócrita, mas reconheço que é politicamente mais correcto. A prisão definitiva (com execepção de alguns casos – não encontro outra pena para quem, sendo dado como imputável, viola estripa e mata pessoas em série…) parece-me um risco  numa sociedade democratica.

7- Que análise geral faz ao actual sistema político português?

É um logro. Desde logo pela base. O presidente da assembleia municipal não é votado pelo povo, como se faz crer nas campanhas, mas sim pelos eleitos nessa assembleia. E esta, em si, é outro logro pois os presidentes de junta de freguesia eleitos votam a escolha do presidente da assembleia municipal. Reconheço que os presidentes de Junta devam ter direito a expressar problemas e matérias na Assembleia Municipal mas sou contra terem direito a voto. Defendo que os municipios devem ser geridos pelos vereadores eleitos na lista vencedora. Defendo os circulos uninominais no parlamento nacional

8- Como comenta o Tratado de Lisboa? Vê nele benefícios para Portugal? Se sim, quais? Não será antes o pronunciamento do príncipio do fim de Portugal como Estado Soberano, nomeadamente relativamente à perda das águas territoriais?

Um país onde o ministro das Finanças decreta o fim da crise e outro afirma haver um deserto na margem sul, não carece de apresentações. Nesse país tudo é possível. Os medíocres escolhem sempre mediocres.

9- Faz sentido, um homem com cadastro, como Aquilino Ribeiro, no Panteão Nacional?

Julgar a História é arriscado. A estátua mais alta de Lisboa é a do Marquês de Pombal… Há outras matérias mais preocupantes. Mas percebo a questão.

10- Acredita que a Monarquia Parlamentar e Democrática poderá ser uma realidade a médio prazo? Não. Tenho pena, mas não acredito.

11- Que opinião tem do “boom” de sites de informação monárquica que se foram formando até há bem pouco tempo?

Espero para ver. É cedo. Tenho esperança de que não se transformem na defesa das capelinhas miseráveis que tenho visto ocorrer noutros registos…

12- Já tinha conhecimento do PDR-Projecto Democracia Real? Que opinião tem sobre este aumento do interesse pela Monarquia em Portugal? Acredita que os Portugueses podem ver a Monarquia como uma esperança se os monárquicos conseguirem passar a mensagem?

São muitas perguntas numa só. Não conheço o PDR nem acredito nesse “aumento do interesse pela Monarquia em Portugal”, que refere. Não o vislumbro nem o ouço no dia a dia das pessoas com quem falo ou das que observo. Ademais, “se os monárquicos conseguirem passar a mensagem” é um problema com noventa anos.

13- Como analisa a situação em Timor-Lorosae?

O estado Timorense não tem essa designação.  Está a viver as naturais dores de crescimento. Mas sobre o neo-colonialismo australiano e os escandolosos privilégios dos funcionários da ONU  em Timor, denunciei-os em 1999 e 2000 e chamaram-me incendiário.

14- Considera que a CPLP pode fazer mais do que tem feito, podendo, por exemplo, criar uma “Confederação Lusofona”?

No domínio das ideias é possível… mas já se provou que impraticável.

15- Que Portugal deseja para o futuro?

O que desejo não é o que prevejo. Desejo um país onde a Justiça não seja um sonho. Onde os pobres também tenham acesso e direito a ela. Onde ela, a Justiça, seja de facto o fiel da balança dos outros dois pilares – Parlamento e Governo. Onde o mais alto magistrado da nação não seja símbolo a prazo, como qualquer contratado a recibos verdes. Onde os homens pensem e projectem o país no real interesse da nação e não no interesse da camarilha a que pertencem. Mas repito: O que desejo, pena minha, não é o que prevejo.

Filed under: Causa Monárquica, Centenário da Republica, Cidadania, Democracia, Portugal Continental e Regiões Autónomas da Madeira e Açores, Portugal Ibérico, Portugal na Europa e a União Europeia, Portugal no Mundo, República Portuguesa, monarquia portuguesa , , , , , , , , , , , , , ,

Categorias

Widget SIC

 

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  
Watch videos at Vodpod and other videos from this collection.