PDR – PROJECTO DEMOCRACIA REAL

João Ferreira Rosa: “Não me importo nada de ser preso!”

Ainda os rapazes do site ‘31 da Armada’ não eram nascidos – e já o fadista João Ferreira Rosa hasteava todos os dias a bandeira azul e branca no mastro de sua casa. “O Diabo” foi ouvir um dos mais destacados defensores da Monarquia em Portugal.

“O Diabo” – A Monarquia é fácil de explicar ao povo, 99 anos depois da instauração da República?

João Ferreira Rosa – Facílima. Há doutores que podem fazê-lo com grandes tratados. Mas sabe quem pode explicá-la melhor? Os portugueses (e são mais de um milhão) que vivem e trabalham nos países onde há Monarquia: na Holanda, no Canadá, na Austrália, na Suécia, na Inglaterra, no Luxemburgo, em Espanha, na Bélgica. Só que esses não passam na televisão. Dantes havia uma censura, agora parece que cada qual tem a sua…

“O Diabo” – Porque é que é monárquico?

J.F.R. – Não quero ter um Chefe de Estado eleito. O Rei não é de facção nenhuma nem lhe sobe a importância à cabeça: é importante desde que nasce e representa todos. O Rei é o chefe natural da nossa família comum.

“O Diabo” – Acha que os monárquicos têm conseguido “fazer passar a mensagem”?

J.F.R. – Há por aí alguns condes e viscondes, falsos monárquicos, que dizem que o povo não está preparado. O único que está preparado é o povo. O povo está preparadíssimo! Eles é que não querem Rei. São uns snobs. Acham que ser monárquico é ser nobre. Nobre? Mas querem gente mais nobre do que o povo? A esses condes e viscondes, o Senhor D. Carlos não dava confiança. Queixavam-se de que o Rei não tinha Corte! Pois não: a Corte do Rei era o povo! Ele ia para Vila Viçosa e era com o povo que queria estar.

“O Diabo” – Quais são as desvantagens de um Presidente eleito?

J.F.R. – Desde logo, só se pode concorrer à Presidência apoiado por muito, muito dinheiro e um partido político. Portanto, ganha quem tem mais dinheiro e representa uma facção. Sabendo como a República foi feita, só uma pessoa desonesta pode querer candidatar-se a Presidente. A República foi feita por meia-dúzia de traidores, assassinos e ladrões. Quando assassinaram o Senhor D. Carlos e o Príncipe, em 1908, até os republicanos franceses disseram: ‘Mataram o Rei mais culto da Europa’. No dia 5 de Outubro, aquela Câmara Municipal de Lisboa, onde agora estes rapazes hastearam a bandeira nacional, era uma galeria de gente horrível. O José Relvas e todos os outros. Uns criminosos. Mataram gente. Não eles, pessoalmente: mandaram a Carbonária. São figuras sinistras. A instauração da República é um filme de terror. Por isso nunca a referendaram. Nenhum país no mundo tem uma ditadura com 100 anos, como nós temos. E não se pode dizer isto. Ninguém me convida para ir à televisão dizer isto. E quando me convidam para cantar, querem sempre que cante ‘O Embuçado’ e umas coisas inocentes. É tenebroso. Ainda no outro dia me fizeram uma entrevista para uma televisão e estiveram a gravar mais de uma hora. Eu só lhes dizia: ‘Mas para quê gravar tanto tempo, se não vai sair nada do que eu estou a dizer?’. Claro: saíram três frasesinhas, a respeito de Fado…

“O Diabo” – Portugal tinha uma boa Monarquia?

J.F.R. – Tinha uma Monarquia exemplar, comparada com as outras. Ainda há tempos estiveram aqui uns noruegueses e disseram a quem os quis ouvir: ‘Vocês, com a História que têm e com os Reis que tiveram, tinham obrigação se ser monárquicos’. A República assenta num lago de sangue. É um crime que nunca foi julgado. Não foi o povo que matou o Rei. Os maiores democratas que nós tínhamos eram o Senhor D. Carlos e a Família Real. O Alfredo Marceneiro contava isso. Ele era operário, nessa altura, vivia em Santa Isabel e assistiu ao 5 de Outubro. Houve um dia um programa de fados na televisão, feito em Pintéus, e gravaram uma conversa minha com o Marceneiro. Como era 5 de Outubro, eu perguntei-lhe: ‘Tio Alfredo, o que é que esta data lhe diz?’. E ele respondeu: ‘Sim, filho. Eles, primeiro, mataram o Rei e o Príncipe. Em Lisboa, o povo ficou a chorar. Passados dois anos, andaram grupos pelas ruas, aos tiros e aos gritos, a dizer ‘não saiam de casa, é uma revolução’. O povo acobardou-se e eles fizeram a República’. E foi mesmo assim. A República foi feita em Lisboa e o resto do País soube pelo telégrafo. O povo não teve nada a ver com isso. E ainda hoje eu vejo muito pouca gente a intitular-se republicana. São raros.

“O Diabo” – O povo é monárquico?

J.F.R. – Aqui em Alcochete, por exemplo, muito povo é monárquico. Depois do 5 de Outubro, o barco de ligação a Lisboa continuou durante anos a içar a bandeira real. E só acabaram por desistir porque, quando chegavam a Lisboa, tinham a Guarda Republicana em cima deles.

“O Diabo” – E continuam monárquicos?

J.F.R. – Eu até tenho amigos comunistas monárquicos!

“O Diabo” – O facto é que vivemos em República…

J.F.R. – Pois se a Constituição nem sequer permite que se ponha em causa o regime! É uma vergonha. E agora, na próxima Assembleia, que terá poderes constituintes, não acredito que tenham a coragem de mudar. O Medina Carreira é que os topa! Esse grande senhor daria um grande conselheiro do Rei de Portugal. Diz as verdades. Só que depois nada acontece. Ele chama-lhes ladrões, chama-lhes tudo, mas eles não têm a coragem de levar o senhor a tribunal. Se isto não levar uma volta, eu não vou morrer cidadão da República Portuguesa. Não há ninguém mais português do que eu. Mas morrer debaixo da bandeira da República, isso não. Mais vale ir morrer longe.

“O Diabo” – A República vai fazer 100 anos. Que acha que deviam os monárquicos fazer em 2010?

J.F.R. – Devíamos exigir o referendo. A melhor comemoração era fazer-se o referendo sobre o regime no dia 5 de Outubro de 2010. Isso é que era.

“O Diabo” – Acompanhou os casos dos jovens monárquicos que substituíram a bandeira republicana pela bandeira azul e branca…

J.F.R. – A mim nasceu-me uma alma nova com esta gente. Fiquei orgulhoso. Senti-me recuar aos 20 anos. O que incomoda ainda mais a corja republicana é que são jovens. Porque isto desmente a propaganda republicana de que a Monarquia é uma coisa de velhos. Eu sou monárquico desde que comecei a pensar, desde rapazinho. Sou monárquico por pensamento, não por herança de sangue.

“O Diabo” – Acha que este caso vai ter consequências?

J.F.R. – É preciso que estes bravos sejam julgados! É preciso fazer coisas, como eles fizeram, para sermos julgados e podermos dizer em tribunal o que se impõe que se diga! É uma infâmia não nos deixarem falar. Eu, com 72 anos, não me importo nada de ser preso como monárquico! Teria o maior orgulho! A República é um crime que continua por julgar.

Fonte: Jornal “O DIABO”

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Entrevista D. Duarte de Bragança

“Corre-se o risco de uma ditadura tomar o poder” – vídeo

por Adriano Nobre, Publicado em 22 de Agosto de 2009

D. Duarte de Bragança teme ver o país entregue a uma comissão estrangeira. Sobre escutas é claro: “Não me importo que me escutem. Nada tenho a esconder”

A causa monárquica voltou à ribalta com a polémica da bandeira hasteada na Câmara Municipal de Lisboa (CML). O chefe da Casa Real, D. Duarte de Bragança, desvaloriza o incidente e defende que o episódio até pode ter “um aspecto positivo” se “despertar a atenção para as bandeiras portuguesas”. Sobre a actualidade do país, assume que o caso das escutas em Belém não o preocupa. “Não me importo nada que me escutem. Nada tenho a esconder. E também deve ser esse o caso do Presidente da República”.

Como reagiu à notícia de que Lisboa tinha acordado com uma bandeira monárquica na CML?

É claro que nunca iria apoiar algo de ilegal e considero que se tratou de uma irreverência de juventude que não me parece condenável, porque a bandeira retirada foi devolvida e não houve nenhum desrespeito a símbolos nacionais, ao contrário do que disseram as pessoas que reagiram aborrecidas.

Então não aceita que isto seja tratado como um caso de polícia?

Não foi cometido nenhum estrago ou acto violento, portanto não me parece que exista aqui um caso.

Mas tem simpatia por esta iniciativa?

Nos países que prezam a sua história, as bandeiras históricas são todas consideradas com a mesma dignidade e colocadas muitas vezes em conjunto. Nas academias militares de Portugal, Brasil ou Estados Unidos, há esse culto. Faz parte da cultura cívica do povo. Se este episódio serve para despertar a atenção para as bandeiras portuguesas, pode ser um aspecto positivo. Mas claro que não é legal entrar num lugar público e mudar coisas que estejam lá expostas. É uma pequena ilegalidade, não me parece que se possa levantar um grande problema.

Esta acção também significa que a causa monárquica está viva?

A vitalidade do movimento monárquico em Portugal mede-se de outra maneira: por sondagens de opinião pública, pelas cerca de dez mil pessoas na Reais Associações e muitos outros grupos organizados de monárquicos em grupos de actividades diversas. Não têm é expressão eleitoral, no sentido em que os monárquicos que temos no Parlamento estão dispersos por muitos partidos.

Gostava de fazer uma consulta aos portugueses para saber se preferiam ter um rei como chefe de Estado?

Já foi feita, mas não foi divulgada. E tem resultados muito curiosos: 29% dos portugueses acha que um rei seria melhor do que um PR. Mas a maioria não tem opinião. Era bom que os portugueses tivessem liberdade para exprimir-se sobre esse assunto, mas num contexto honesto e não fazendo uma pergunta como a pergunta do aborto, que era totalmente direccionada para votar sim.

Cem anos depois da implantação da República, que balanço faz à situação actual da democracia portuguesa?

O que me preocupa mais é que ao haver 60% de abstenção numas eleições, damos uma importância excessiva a minorias muito militantes. Isto põe em causa o significado da democracia. Se as pessoas não votam por estarem desiludidas com a política, estão a deixar que alguns falem por eles. Se a política é tomada como um campeonato de futebol, em que se vota num partido por ser “o seu”, então não interessam as medidas que se defendem. A democracia não pode resumir-se a colocar um voto numa caixa de quatro em quatro anos. Tem de haver mais participação cívica, opinião, referendos.

Acha que isso acontece pelo descrédito da classe política junto dos eleitores?

Há gente muito boa e decente a fazer política. O problema é a própria instituição da democracia e o sistema em que estamos a viver, que gera esta situação. Temos um excelente Presidente da Republica (PR), deputados muito bons e pessoas muito decentes no governo. Mas não há uma cultura de participação cívica ou de raciocínio lógico.

Como assim?

Surgiu um movimento para as pessoas comprarem produtos portugueses, e acho muito bem. Mas a maioria das pessoas cujo emprego está em risco, que sabem que as empresas estão a fechar ou que a agricultura está a falir, insistem em comprar tudo estrangeiro. Em todo o Estado ou na administração pública não vejo um único carro fabricado em Portugal. Os alfas pendulares foram todos importados de Itália e depois os ministros vêm chorar porque o capitalismo é horroroso e deixa fechar a fábrica da Bombardier? É uma incoerência chocante e revoltante. E os portugueses deviam revoltar-se contra isso. Não faz sentido estarmos a pagar impostos para sustentar indústrias noutros países.

Está preocupado com a crise económica que vivemos e com o défice do país?

Parece-me perfeitamente claro que isto assim não pode continuar. Qualquer família que gaste mais do que aquilo que ganha vai à falência e isso também acontece com os Estados. Nós estamos a endividar os nossos netos, que vão ter de pagar os desperdícios e disparates que estamos a fazer hoje. O povo português ficou contente com a Expo, o CCB ou as auto-estradas em todos os cantos do país, mas essas coisas pagam-se. E depois falha-nos o dinheiro noutras coisas, como no sistema de saúde, que é fraco.

Como é que avalia a justiça portuguesa?

Os deputados fizeram uma legislação que torna muito difícil a aplicação da justiça, por causa dos procedimentos, recursos e picuinhices que empatam a justiça e dificultam o seu exercício. E depois não funciona para ninguém. Nem nos grandes casos nem nos pequenos.

Que comentário faz ao caso Freeport?

Nenhum. Não foi julgado, portanto não posso dar opiniões. Não quero ser injusto com ninguém.

Acompanhou a recente polémica sobre as alegadas escutas no Palácio de Belém?

O Presidente da República é uma pessoa de bem sob todos os aspectos, portanto não se deve importar nada que lhe façam escutas.

Mas acha normal que o Palácio de Belém possa estar a ser vigiado?

Depende de quem faça as escutas. Se tivermos um serviço de segurança bom e eficiente – e temos, como se prova por não haver terrorismo em Portugal – é preferível escutas e vigilância a mais do que a menos. Onde as escutas são inconvenientes é quando servem para espiar, por exemplo entre empresas ou indústrias, ou para saber escândalos da vida privada que possam ser utilizados em chantagens. O importante em democracia é que tenhamos confiança nos serviços que suportam a nossa segurança. Não me importo nada que me escutem, porque não tenho nada a esconder. E acho que também deve ser esse o caso do PR. Mas não sei se é escutado ou não. O que acho é que quem tem cargos públicos de responsabilidade deve aceitar que a sua vida seja transparente.

Concorda com a ideia de Ferreira Leite de que o país vive um clima de asfixia e retaliação criado pelo governo?

Não sei dizer. Acho é que há um pouco a tendência dos partidos no poder, sobretudo se tiverem maioria, para acharem que têm o direito a privilégios, lugares e vantagens. Isso é muito perigoso. Devíamos seguir mais o modelo inglês, em que a administração é uma coisa e a política outra: as pessoas competentes que estão na administração ficam, independentemente dos partidos no poder.

Acha que um governo minoritário pode ser prejudicial ao país?

Não. Um governo de coligação é benéfico, no sentido em que se cria uma maior dinâmica de diálogo e participação. Mas o importante é que tem de haver um acordo entre as principais forças políticas para que se tomem as medidas difíceis que têm de ser tomadas. Se não houver esse acordo, os partidos que estiverem no poder não tomam medidas duras com medo de se queimarem eleitoralmente. Se essas medidas forem tomadas por consensos, todos se responsabilizam.

É favorável a um Bloco Central?

Não faz diferença se é Bloco Central ou aliança com os pequenos partidos. Quanto mais forças políticas participarem, mais se pode mobilizar o país para que um governo possa governar a sério. Quanto mais tarde forem tomadas medidas, pior, e se não forem tomadas corre-se o risco de ser uma ditadura a tomar conta do poder para fazer o que é preciso. E falo de uma ditadura que não é necessariamente militar. Se o país entrar em bancarrota, o BCE ou o FMI podem dizer que ajudam a salvar o país, com a condição de nos governarmos de determinada maneira, com uma comissão de gestão estrangeira. E caminhamos para aí: se não fizermos o caminho certo, alguém vai ter de tomar conta de nós.

Que opinião tem sobre os dois principais candidatos a primeiro-ministro?

Nunca tomo posições partidárias. Não posso fazê-lo devido à minha condição de chefe da Casa Real portuguesa.

Não vota nas legislativas?

Voto nas eleições autárquicas, porque é uma democracia mais directa, conheço as pessoas. Votar mas legislativas seria tomar uma posição partidária que não posso tomar.

Fonte: i Online – ver também o vídeo!

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Entrevista de SAR Jean d´Orléans ao Canal KTO – França

http://www.ktotv.com/cms/videos/fiche_video.html?idV=00045592&vl=video_nouveautes

Uma Entrevista muito interessante, em que o Príncipe fala do seu recente Casamento, da ideia que tem da França actual e para o futuro, a noção que ele nos dá de ser um Príncipe Cristão e um Príncipe Francês. O Príncipe do seu tempo que tem ganho notoriedade junto da imprensa em França. A entrevista é toda em Francês e não tem tradução. Achei, de qualquer das formas, a partilhar com os nossos leitores, porque como já foi dito, é verdade que o Projecto Democracia Real é uma iniciativa claramente em prol da Monarquia para Portugal, mas não devemos fechar os olhos à Europa e ao Mundo. Por conseguinte, parece-me útil, também abordar questões monárquicas ou de outra natureza qualquer, noutras línguas. Muitas vezes vou a fontes concretas retirar essas informações que me parecem ser bastante importantes.

Poderão visitar também, o Site da Associação “Gens de France”, presidida pelo Príncipe Jean d´Orléans.

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Reza Shah Pahlavi – Biography and Updates

n20716381127_9472Site:
http://www.rezapahlavi.org/
Sexo:
Masculino
Estado civil:
Casado(a) com
Yasmine Etemad-Amini
Data de Nascimento:
31 de Outubro de 1960
Ideologia política:
Other
Actividades:
Crown Prince of Iran, please don’t pay too much attention to the “Shah” following his name on the page, as Reza Pahlavi’s priority is to see a democratic Iran, whether it is a Republic or a Monarchy.

Reza Pahlavi is the heir to the Iranian throne. He is a great supporter of democracy and freedom. He is very smart, open-minded and knowledgeable. He accepts and respects all the democratic opinions.

Reza Pahlavi represents all the opinions: pro-pahlavis, pro-mossadeghs, pro-bakhtiars, pro-bazargans, pro-banisadr, anti-revolutions, pro-revolutions, leftists, rightists, nationalists, royalists, republicans, etc. , etc. the only two that cannot be represented by him are the opinions that are dangerous for democracy: mojahedin and obviously pro-regime people…

Since the Islamist Republic has killed all the opposition leaders, the ONE AND ONLY potential leader we still have is Reza Pahlavi.

The great majority of the Iranian people oppose the regime. However, because of the savage torture and execution of any opponent and anyone who expresses his opinion, they’ve managed to rule our country for 30 years. Highest execution rate, regular rape and torture in jails by the people of the regime. All of this must stop. The thing anyone needs for a regime change is a LEADER. Iranians will not have their democracy if they keep dividing just because of disagreement on some points… It’s time to unite. Reza Pahlavi has settled in Paris, will create a Council of Opposition and is doing the propaganda. He has for goal to turn the Western leaders against the regime and is very active these times. He’s just written a new book in French (“l’Iran: l’Heure du Choix”) and is finally ready to do something.

It’s not over. Remember Juan Carlos. He’s the King of Spain now, Spanish people welcomed him as a hero after the Republic that lasted 8 years and the TOTALITARIAN dictatorship of Franco that lasted 36 years ! Spanish people first opposed the Monarchy and the King in 1931 but then readopted the SAME dynasty in 1975 ! King Juan Carlos arrived on power and gave democracy to the people, and now he’s a hero !

Reza Pahlavi will be the Juan Carlos of Iran.

Long Live Iran ! Long Live Democracy ! Long Live Freedom !

Persians-Iranians of all opinions, of all ethnicities, of all confessions, of all backgrounds, friends of freedom and Human Rights, LET’S SHOW OUR SUPPORT TO REZA PAHLAVI !

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http://www.cfpdusa.org/news.aspx?type=Analysis&id=24
58% of the Iranians support a military action to change the Iranian regime while 39% don’t
67% of the Iranians support a Velvet revolution to change the regime while 9% don’t
67% of the Iranians think that the regime doesn’t satisfy the people while 32% don’t
The majority of the Iranians: 44% against 43% (13% “do not know”) DON’T BELIEVE IN REFORMS

If you could turn back the clock, would you support the Islamic revolution? 72% said No

Do you approve of the American decision to finance the promotion of democracy in Iran? 54% said yes and 43% no
Do you think the Islamic Republic’s regional role is positive? 92% said No and 6% Yes
Do you think Israel should be destroyed? 70% said No
Do you agree with Iranian financing to the Hezbollah? 61% said No while 32% said Yes
Do you agree with the Hamas support policy? 55% said No while 38% said Yes
Do you think that the Islamic Republic should have the nuclear bomb? 47% No, 46% Yes

(Through a random sampling, 600 respondents from 5 different cities in Iran were interviewed. They included 200 people from the capital Tehran, 100 from Isfahan, 100 from Tabriz, 100 from Shiraz, and 100 from Mahabad)

http://jeffweintraub.blogspot.com/2006/09/why-iranians-like-america-washington.html
“By comparison with (say) Arabs or western Europeans, most Iranians seem to be genuinely pro-American.”

http://www.iranian.com/RoozbehShirazi/2004/May/NYT/index2.html
“Finally, I’ve found a pro-American country.”

http://meria.idc.ac.il/journal/2004/issue1/jv8n1a2.html
The principle reason for pro-American sentiment in Iran today is that the United States is a staunch opponent of the hated clerical regime.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/2996604.stm
“I despise the regime and so do 90% of the Iranians. All the people who elected Khatami despise the regime and they thought he’d bring change.”
“We hope that Mr Bush doesn’t only talk but does more.”
“She said she agreed with US President George W Bush’s comments that the demonstrations were “the beginnings of people expressing themselves toward a free Iran”"
“I despise Islam and the mullahs even though I am officially a Muslim now. I don’t have the right to change my religion in Iran.

http://journalism.berkeley.edu/projects/worldandus/archives/2005/02/why_many_irania.php
“Why many Iranians are pro-Americans and pro-Bush”

http://jeffweintraub.blogspot.com/2006/09/why-iranians-like-america-washington.html
“By comparison with (say) Arabs or western Europeans, most Iranians seem to be genuinely pro-American.”

http://meria.idc.ac.il/journal/2004/issue1/jv8n1a2.html
The principle reason for pro-American sentiment in Iran today is that the United States is a staunch opponent of the hated clerical regime.

Fox news, November 19th 2004, 2 Middle-East experts agree to say that the people of Iran are pro-american

http://americasfuture.org/doublethink/2005/03/06/iranians-for-bush/
“When the BBC world service released the results of its 2004 presidential poll it revealed an interesting figure. Of the sixteen linguistic ethnical groups surveyed around the world, PERSIANS WERE OVERWHELMINGLY THE MOST SUPPORTIVE OF PRESIDENT GEORGE BUSH. In fact, over 52 percent of Iranians preferred Republican George W. Bush to challenger John Kerry who only received 42 percent support. Thus, surprisingly, unlike in the United States where the presidential race was relegated to a couple of percentage points, in Iran President Bush won by a landslide.”

” A Tehran University student summed it up best: “The Iranian people support President Bush because he supports our cause. As long President Bush stands with the Iranian people, the Iranian people will stand with him.” “

http://www.cfpdusa.org/news.aspx?type=Analysis&id=42
According to the findings of a poll carried out by the public policy group Terror Free Tomorrow ahead of Iran’s March 2008 parliamentary elections, the Iranian public strongly supports a more open and fully democratic system of government, with 86 percent of respondents in favor of “a political system for governing Iran” in which “all leaders… can be chosen and replaced by a free and direct vote of the people.”

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Recent News

June 2009: Interview on CNN (english): http://www.youtube.com/watch?v=sHdfkLsIosk

March 2009: Interview on BFM TV (french): http://www.youtube.com/watch?v=zhKKU8i_ulI

March 2009: TNI Interview with Reza Pahlavi (english): http://www.youtube.com/watch?v=eU__q3t_qlI

February 2009: Interview on France 5 (in French): http://www.vidoosh.tv/play.php?vid=4412

February 2009: Interview in “L’Express” (french):
http://www.lexpress.fr/actualite/monde/proche-orient/reza-pahlavi-ahmadinejad-est-un-cavalier-de-l-apocalypse_742182.html

February 2009: In “Point de Vue” (French magazine), Reza Pahlavi says he’s ready to go back to Iran and to get killed for democracy in Iran. “I’m ready to die, I’ve talked about it with my wife and daughters, it’s hard for them, I love them, but they have to understand that nothing is more important for me than Iran.”

Interview in February 2009 with Pars TV (persian):
http://www.youtube.com/watch?v=ueT0R4TjB9Y
http://www.youtube.com/watch?v=A5J6SIXVWIw
http://www.youtube.com/watch?v=9g3lo_dgRNk
http://www.youtube.com/watch?v=MwikhO1G6E4

Interview in February 2009 on France 3 (french):
http://www.truveo.com/Interview-with-Prince-Reza-Cyrus-Pahlavi-on/id/2037281943

Interview in February 2009 with BBC Persian (farsi):
http://www.youtube.com/watch?v=wqhAxDfCcU4

Interview in February 2009 on Europe 1 (french):
http://www.youtube.com/watch?v=1hYedVEHEXc

Interview in February 2009 on France 24 (english):
http://www.france24.com/20090209-the-interview-reza-pahlavi-exiled-son-of-the-shah

Interview in February 2009 in French on FRANCE INFO (french):
http://www.france-info.com/spip.php?article248060&theme=81&sous_theme=14

Interview in November 2008 with Frost (english): http://www.youtube.com/watch?v=yoRqn52ZPMM&feature=PlayList&p=C844EF0836B09B45&playnext=1&index=84

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O princípio do fim dos Hayatolas

Em resposta às pertinentes questões colocadas no post anterior pela Cristina Ribeiro, afigura-se difícil, para não dizer impossível, avaliar a situação interna no Irão. De facto, após o fim da guerra de defesa nacional contra o expansionismo de Saddam Hussein, o regime foi-se fechando em torno da superestrutura do clero xiita, em torno do qual todas as actividades gravitam. Qualquer licença para construção ou formação de empresa, depende directamente do beneplácito do mulá local que aplica exorbitantes exigências que se aproximam da extorsão pura e simples. A prepotência da polícia islâmica, os castigos vexatórios em plena rua, a ruína económica e sobretudo, uma população imensamente jovem que beneficiando das tecnologias de informação, contesta abertamente o poder instituído, deterioram os alicerces de um sistema que se baseia sobretudo no obscurantismo religioso e num exclusivismo do exercício do poder por uma minoria violentamente retrógrada. Ainda ontem, um casal iraniano de visita a Portugal, tecia considerações acerca do regime que iam muito além da crítica acerba, numa cataclismica e iconoclata diatribe de impropérios pouco comuns nas gentes daquela área do planeta. O problema que hoje já se coloca à oligarquia de Teerão, tem a ver sobretudo com a própria construção do Estado, olhado como inimigo por massas urbanas mais esclarecidas e que ainda há pouco mais de três décadas beneficiavam de uma liberdade pessoal impensável para a actual geração contestatária. Com a informação hoje disponível, os filhos dos revoltosos de 1979, exigem beneficiar do estatuto ingloriamente perdido pelos próprios progenitores em prol de ilusórias promessas de justiça. O povo perdeu o medo e isso indicia o começo de um processo de desagregação de uma insustentável situação de humilhação colectiva.

O caso Mousavi aproxima-se bastante daqueles outros que a História demonstrou serem meros artifícios de um sistema bloqueado e que escolhe ele mesmo a “sua oposição”. O currículo do “candidato derrotado” é pouco invejável e apenas as crónicas ilusões dos eternos partidários europeus do appeasement, reincidem no equívoco ao anunciarem a possibilidade da mudança. Os candidatos ao simulacro de escrutínio foram criteriosamente escolhidos pelos teocratas e este senhor Mousavi consiste num típico produto khomeinista dos anos da “revolução”. O entusiasmo das massas nas manifestações de apoio ao vencido, consiste sobretudo, na ânsia de aproveitar a oportunidade de contestar a férrea, corrupta e prepotente ditadura que conduziu o país ao desastre ecónómico, à situação de pária no concerto das nações e a um retrocesso à época anterior às grandes mas apressadas e coercivas reformas políticas e sociais do Xá Mohamed Reza Pahlevi.

Os iranianos estão fartos da esmagadora e estéril presença desta cleptocracia que em nome de um deus omnipotente, os condena à negação de uma história milenar. Na verdade, a Pérsia é com a China, o derradeiro e sobrevivente império de uma Antiguidade na qual temos profundas raízes.

A queda do Xá, se não foi preparada em Paris, Londres e Washington – o soberano tinha veleidades de autonomia que desagradavam aos magnatas ocidentais do petróleo – , talvez tenha sido acolhida com uma resignação que mal disfarçava o alívio. O Ocidente pagou caro o erro e tal como em 1979, a evolução dos acontecimentos internos no Irão, poderá também depender da atitude das potências ocidentais, entre as quais os EUA terão um papel relevante na satisfação das reivindicações de uma população que antes de tudo, é fervorosamente nacionalista e consciente do passado daquela Pérsia que a maioria dos ocidentais já nem sequer sabe tratar-se do Irão dos nossos dias.

O discurso que ontem Reza Ciro Pahlevi proferiu, aponta o caminho tendente à intensificação de uma oposição que nas ruas arrisca a vida e que dentro do país não encontra uma séria e fiável liderança capaz de derrotar a opressão. Numerosa, e influente, a comunidade de exilados iranianos na Europa e América, poderá dar um inestimável contributo para a queda do regime clerical de traços medievalescos. Se um Tianamen é possível nas próximas horas, uma reacção de incontrolável violência poderá alterar uma vez mais, o mapa geopolítico do Médio Oriente. Oxalá.

Fonte: Estado Sentido

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Vasco Pulido Valente “enterra” o regime republicano em entrevista ao CM

Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:

«Criaram essa República e que conseguiram a partir de 1913 governar em partido único. Esse partido governou sempre, excepto numas interrupções provocadas por golpes militares, pronunciamentos militares, em que usaram, para se manter, métodos terroristas. E que viveu sempre em guerra com o País, guerra aberta com o País.»

«Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República!»

Vasco Valente Correia Guedes, conhecido por Vasco Pulido Valente, nasceu em Lisboa no dia 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa e doutorou-se em História em Oxford. Historiador, ensaísta, escritor e comentador político, lança nesta semana mais um livro sobre a história de Portugal.

(13 de maio de 2009)

Vasco Pulido Valente “enterra” o Centenário da República

Vasco Pulido Valente e o “regime terrorista” ouvir aqui :

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Vasco Pulido Valente em entrevista ao Correio da Manhã e à Rádio Comercial sobre as comemorações do centenário da república:

ARF – Vamos comemorar os 100 anos da República. No livro que lançou, sobre no período de 1910 a 1917, é muito contundente com a I República. Diz que foi um regime terrorista. Vamos andar um ano a chamar heróis a cidadãos que usaram o terrorismo?

VPV –

ARF – E porque é que se comemoram os 100 anos?

VPV – Eu sei porque é que se vai comemorar isso. Porque a República teve uma reabilitação póstuma, que foi a reabilitação salazarista. Como os republicanos eram contra o Salazar e havia muita gente que era contra o Salazar começou-se a achar que a República era boa porque era antisalazarista. Porque os republicanos, certos republicanos, eram antisalazaristas e começou a criar-se a lenda de que se a ditadura salazarista era má a ditadura republicana, a que ninguém chamava ditadura, era boa. Hoje em dia passa por ter sido um regime muito meritório que não foi. Ainda por cima, o nome oficial da República era República Democrática Portuguesa. Tinha lá aquela coisa, mas aquele democrático estava ali como estava nos países comunistas.

ARF – Coreia do Norte e outros.

VPV – Quase a Coreia do Norte. Não era tanto.

ARF – Vai participar nessas comemorações, já foi contactado?

VPV – Não.

ARF – Não foi porque tem essas opiniões?

VPV – Não.

ARF – Não convém às comemorações dos 100 anos?

VPV – Não sei se convém ou não convém. Mas compreendo que pessoas que queiram comemorar não me queiram. Mas houve uma senhora deputada que me veio falar em nome do senhor presidente da Assembleia da República. E eu expliquei à senhora deputada que já não tinha idade para receber recados por interposta pessoa do doutor Jaime Gama, que eu conheço desde os 18 anos. Portanto, se o doutor Jaime Gama me quiser falar não tinha mais que agarrar num telefone e telefonar-me. Não telefonou mais. E foi o único contacto que eu tive. Lembrei-me agora.

LC – Na sua opinião não devia haver comemorações?

VPV – Não devia haver comemorações nenhumas. É um episódio triste da história portuguesa e não devia haver comemorações nenhumas. Para todos os efeitos foi uma ditadura. A ditadura não nasceu do vácuo, nasceu da República.

ARF – Exactamente.

- Não é um período particularmente brilhante na nossa história e acho bem que não me convidem. É uma coisa que obviamente não estou na disposição de comemorar.

ARF – A propósito disso, a revolução do 28 de Maio de 1926 não nasceu do nada. Havia pessoas concretas e interesses concretos que fizeram esse golpe.

- Eu não gosto muito dessa linguagem dos interesses. O problema que se pôs à República é o problema que se põe a todos os movimentos revolucionários. É que os movimentos revolucionários ou mantêm a sua parte revolucionária, isto é, a sua parte terrorista e não conseguem governar, suscitam uma resistência contínua e não conseguem governar, ou então põem na ordem os seus próprios terroristas, os grupos que os apoiam, e são imediatamente submergidos pelas forças conservadoras. O velho dilema entre fazer a revolução e governar pôs-se para a República. E a partir de 1923, 1924 a República, depois de ter chegado ao cúmulo da anarquia, tentou fazer um caminho para a estabilidade e fortalecer a parte de Governo. Para isso apoiou-se em quem? Apoiou-se no Exército e quando o Exército se viu com o poder todo nas mãos evidentemente liquidou a República.

ARF – E vem Salazar na sequência disso.

- E acontece Salazar na sequência disso.

ARF – E Salazar manteve uma ditadura.

- O Salazar viveu numa ditadura militar. Sem o Exército não teria governado.

LC – Vamos dar um salto de 50 anos. Diz que o 25 de Abril não foi uma revolução e que acabou por não transformar a sociedade portuguesa.

- Não foi uma revolução. As pessoas apareceram nas ruas. Não havia movimentos sociais que impusessem o 25 de Abril. O 25 de Abril começou por ser um movimento corporativo, cresceu como movimento corporativo e só depois de ter ganho é que apareceram movimentos sociais, alguns espontâneos, outros nada espontâneos. A satisfação, o entusiasmo pelo fim da ditadura foi espontâneo, daí em diante tinha de analisar cuidadosamente o que foi espontâneo do que foi organizado. Mas não havia nenhum movimento social prévio, a não ser na imaginação de alguns esquerdistas e talvez do PCP, que impusesse o 25 de Abril.

LC – Havia uma oposição organizada.

- As pessoas em Portugal naquela altura não queriam fazer uma revolução. Queriam ir para França ou para a Alemanha. É preciso perceber isso. Não haviam nenhumas condições revolucionárias. As pessoas não queriam fazer uma revolução, não queriam vir para a rua, não queriam nacionalizar nada, não queriam ocupar terras nenhumas. Queriam pegar na mítica mala de cartão e ir para França onde ganhavam mais e melhor. Estavam fartas de miséria, não queriam distribuir miséria nenhuma, não queriam colectivizar a miséria portuguesa. Queriam ir-se embora.

ARF – Isso foi um sonho falhado do PCP, que imaginou que ia fazer em Portugal uma revolução.

- O PCP tinha o seu programa de colectivizar a miséria que o doutor Cunhal aplicou com uma cegueira absoluta.

ARF – Porque não conhecia Portugal?

- Não conhecia Portugal, não estava há muito tempo em Portugal e antes tinha estado preso em Caxias, ainda por cima grande parte dessa prisão em isolamento. Mas não conheceu em Portugal, não fazia a menor ideia. Por isso é que ele se conservou tão puro, tão intransigente, tão…

ARF – Dogmático?

- Tão hostil ao eurocomunismo, ao Carrilho e aos italianos. Começaram a perceber que aquelas receitas já não se podiam aplicar a sociedades tão complexas. Por um lado o Cunhal não tinha a experiência dessa complexidade e por outro lado Portugal era de facto uma sociedade muito mais atrasada do que a sociedade francesa, espanhola, mesmo a espanhola, ou italiana. De maneira que o doutor Cunhal convenceu-se que o movimentarismo das ideias dele era equivalente, era um bom reflexo do movimentarismo da sociedade portuguesa.

ARF – Mário Soares foi o grande homem destes anos depois de 1974?

- Foi o homem que percebeu que para haver uma modernização, ou seja, uma compatibilização de Portugal com a Europa, era preciso democracia. Acabar com o império e era preciso democracia.

ARF – Sá Carneiro não foi também importante nesse processo?

- Sá Carneiro não conduziu esse processo e Sá Carneiro não percebeu esse processo a tempo. E que esse processo para ter sucesso era preciso que estivesse associado a forças políticas na Europa. Que as forças políticas internas que havia a favor da democracia eram fracas. Os militares nunca foram grandes democratas nem por vocação nem por educação, o País estava longe de ser democrata, tinha da democracia a ideia mais vaga, havia um PCP relativamente forte, as forças de direita estavam desacreditadas e era preciso que houvesse uma força democrática capaz de impor a democracia. E que essa força democrática tinha de ser uma força ligada às forças democráticas europeias. A esquerda em Portugal, antes de 25 de Abril, discutia a teologia do marxismo. Até o doutor Álvaro Cunhal discutia a teologia do marxismo. Não se discutia Portugal. Discutia-se se os loucos pequenos burgueses tinham fachada socialista ou não tinham, se o PCP era de facto um partido marxista-leninista ou não era, quem era quem, quem eram os autênticos marxistas-leninistas, os verdadeiros revolucionários. Era isso que se discutia há anos. Enquanto essas pessoas andaram aí a discutir estas coisas tão importantes, o doutor Mário Soares foi à Internacional Socialista e fez um Partido Socialista com cabeça, tronco e membros. E apareceu com o PS e isso é que alterou tudo. Além do comportamento exemplar que teve no processo. Exemplar, inteligente e de um enorme talento, ia mesmo dizer génio, estratégico. Mas ele começou muito antes, ele viu o problema muito antes, não veio aqui e improvisou aquelas coisas.

LC – Disse que se estivesse no lugar de José Sócrates se demitia, que não teria condições para ocupar o cargo. Acha que José Sócrates não tem condições?

- A premissa está errada. Se eu estivesse, eu nunca estaria no lugar de José Sócrates. Isso é uma coisa de imaginação, chamada de imaginação histórica. Mas contando que é um acto de imaginação histórica eu, de facto, se estivesse no lugar de José Sócrates preferia perder as eleições e ir para casa.

LC – Mas porquê?

- Porque ele esgotou as soluções que tinha e ele esgotou o crédito que tinha, sobretudo. Lembra-se do crédito que tinha há quatro anos? O homem inflexível, o reformador, o intransigente, o homem que não parava, o homem que ia mudar tudo e veja o estado em que está o País agora.

ARF – Exacto.

- Sem a reforma do Estado, com o défice muito pior do que tinha, a Justiça no estado em que está, não fez nada, não reformou nada, há o Magalhães e há o simplex e há assim umas coisas. Eu disse essa frase porque o crédito que ele tinha há quatro anos esgotou-se, ele esgotou-se como político, o crédito que ele tinha há quatro anos já não o tem e já não o torna a ter. Já ninguém vai reagir ao engenheiro José Sócrates como reagiu há quatro anos, com esperança, mesmo na direita. Em todo o PS e em grande parte do PSD e da direita. E isso acabou.

LC – Considera a maioria absoluta essencial para o País? Prevê um período de instabilidade se o PS não tiver maioria absoluta?

- Eu não prevejo, eu suspeito que o PS não vai ter maioria absoluta.

LC – Isso é um problema?

- Pode ser que seja um problema, mas não considero que seja um drama. A gente não pode estar a voltar ao partido único com duas cabeças, bicéfalo, o PSD e PS, para a necessidade que agora se está a querer fazer passar de que é preciso uma maioria. Ou seja, nós só podemos viver com partido único. No fundo, o que nos estão a dizer é que nós só podemos viver com um partido único.

ARF – Só somos viáveis com um partido único.

- Portugal só é viável com um partido único. Eu recuso-me a aceitar isso.

LC – Encontra alguma possibilidade, ou haja que é desejável, de alianças no próximo mandato?

- Eu não sei, não sou político, falta-me muita informação sobre o estado do País. Também falta aos políticos, é verdade que sim, mas eles têm maneiras de as arranjar mais facilmente do que eu. Falta-me informação sobre o estado do País, falta-me informação sobre o estado dos partidos, que eles com certeza têm. E só com essa informação é que eu poderia dizer que certas alianças são ou não possíveis.

LC – No caso do PS, historicamente, a coisa não tem resultado bem.

- Há tantas soluções possíveis. Falta discutir. Deixar de fazer disto um drama e discutir. Vamos ver como é que a gente resolve este problema. Calmamente. Tranquilamente vamos ver como. Ou então a gente diz assim: nós só podemos ser governados por um partido. De quatro em quatro anos temos de arranjar um partido. Uma ditadura de quatro anos se não o País não funciona. Não. Recuso isso.

fonte:
http://www.correiodamanha.pt/Noticia.aspx?channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229&contentid=3B59DE73-9021-4FB3-B470-50FC2DDD4B3E

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