O debate da Resolução da Proposta de Revisão Constitucional na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM) começou com a intervenção do Deputado Coito Pita, tendo este criticado vários pontos da Constituição da República Portuguesa (CRP) 2004 entre eles a extensividade dos direitos nela existente (mas que segundo Alberto João Jardim é necessário manter dado o “gangsterismo” verificado neste país) e o facto como esta foi escrita coloca muitos entraves ao desenvolvimento não só Regional mas também Nacional.
De facto e como Coito Pita disse, se Portugal reconheceu os PALOPs está na altura de reconhecer as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores a nível das suas aspirações e necessidades de desenvolvimento sócio-económico que lhes são particulares. Tornando-se também necessários a clarificação daquilo que as Regiões Autónomas podem ou não legislar e a blindagem do Estatuto Político-Admnistrativo da Região para que esta possa legislar sem que o Tribunal Constitucional lhe “corte as pernas”.
Quando interrogado sobre o facto de na próxima Revisão Constitucional o cargo de Representante da República continuar a existir, Coito Pita respondeu que não faria sentido algum visto que os Distritos não possuem tal figura quanto mais as várias regiões europeis dotadas de autonomia legislativa.
A quando da intervenção do Dr. Alberto João Jardim, este começou por referir que o PS, PCP, BE e PND estão a fugir à questão de fundo, visto estes terem faltado ao debate para discutirem entre si o desemprego e a crise económica, porque sendo a CRP a lei fundamental do Estado português esta condiciona fortemente as demais leis sobre as matérias que visam retirar Portugal da crise (isto devido ao forte conteúdo programático no que toca à economia).
Alberto João Jardim referiu ainda que as anteriores revisões constitucionais foram um fracasso total, visto estas não terem aumentado o poder legislativo das Regiões Autónomas e que continua ambíguo a separação das matérias a serem legisladas pela ALRAM e pela AR.
Posteriormente criticou a fraca indepêndencia politica do Tribunal Constitucional em relação aos partidos políticos, e como este subsituí a AR ao produzir “legislação” que bloqueia o poder legislativo da Região Autónoma da Madeira. E ainda a forma fraudulenta como o Governo da República prossegue em relação à Região Autónoma da Madeira.
Alberto João Jardim, referiu ainda a necessidade de do Estatuto Político Administrativo só poder ser alterado pela CRP ou pela própria ALRAM. Referindo-se ainda à aprovação do Estatuto Político dos Açores como uma manobra de diversão para travar esta iniciativa da ALRAM. De volta à matéria económica da legislada pela Constituição, Alberto João Jardim referiu ser profundamente dogmática e equivalente a um programa de Governo, o que limita as acções dos actuais Governos.
Criticou o facto da CRP nunca ter sido referendada por 10.000.000 mas poder ser alterada por 2/3 dos Deputados da AR.
O documento de proposta de Revisão da CRP apresentado pelo PSD-M contém as seguintes propostas:
- Reduzir o número de deeputados da AR;
- Criação de um círculo uninominal nacional;
- Maior independência dos Tribunais;
- Reestruturação do Ministério Público;
- Extinção do Tribunal Constitucional e integração das suas funções no Supremo Tribunal de Justiça;
- Regiões Autónomas devem ser referidas com letra maíscula;
- Portugal como estado regional e não unitário;
- Proíbição dos regimes totalitário e que defendam a ditadura unipartidária ou militar;
- Criação de partidos regionais e introdução de referendos regionais;
- Acabar com a referende ministerial;
- Candidaturas independentes à ALRAM e à AR;
- Regionalizar o ensino;
- Conselho Superior da Magistratura e Conselho Superior do Ministério Público devia ser apenas constítuido por magistrados no topo da carreira;
- Retirar os poderes civis da Marinha;
- Regionalização do Sistema Fiscal;
- Regionalização da Agricultura e do Ordenamento do Território;
- Matriz do Governo Regional igual à das Comunidades Autónomas de Espanha
Como disse o Deputado da ALRAM, Tranquada Gomes: “Estamos a trabalhar pelo país e não contra o país” e para tal precisamos de uma maior autonomia.
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