Caros amigos,
No passado Domingo, dia 5 de Outubro – data importantissima da nossa História, visto celebrarem-se 865 anos da Independência de Portugal – o Jornalista António Freitas Cruz escreveu, no Jornal de Noticias, o artigo “É tempo de tirar os Canhões à República”.

“Precisamente de hoje a dois anos, estaremos a celebrar o primeiro centenário da República. Espero da data, e também das personalidades que formam a comissão encarregada das comemorações, que a todos os demais pretextos se sobreponha um alto e eficaz sentido pedagógico, em benefício dos portugueses em geral e dos mais novos em particular.
Os 100 anos do regime republicano constituem uma fatia da História de Portugal. São uma fatia pequena face aos oito séculos de Monarquia que construíram e deram forma e independência à Nação que hoje somos. Mas a substituição do regime, ainda que por meios violentos (como acontece em quase todos os golpes de Estado), foi inteligentemente absorvida pelo povo português, de tal modo sensata e pacificamente que não nos ficou desse lance da História qualquer problema embaraçoso, apesar de não se poder ignorar que foi assassinado o chefe de Estado.
É esse estado de espírito que deverá presidir às comemorações, cuja inspiração não pode, repito, ignorar um sentido didáctico dirigido à juventude, nem sempre tão conhecedora dos factos históricos quanto seria desejável.
Mas também não resisto, a esta distância temporal, ao atrevimento de uma impertinência se calhar ao arrepio do “politicamente correcto”, embora nem sequer inédita. Refiro-me a duas coisas que gostaria de ver modernizadas e nada têm de ofensivo para a História e para as instituições: estou a falar do Hino e da Bandeira.
De facto, não parece que se justifique, em pleno Século XXI e no seio da Europa comunitária, cantar estrofes que convidam a marchar contra os canhões. Esse era o contexto guerreiro da época – hoje não passa de memória sem ligação à realidade.
Também a Bandeira merecia (como agora se diz) um novo design. Já não digo um regresso ao azul-e-branco dos primeiros oito séculos (e não o digo porque nesse ponto sou altamente suspeito…), mas a um desenho capaz de harmonizar as cores de um modo mais elegante. Há muito pouco tempo, vi um estandarte em que isso foi conseguido através de uma estreita cercadura vermelha tendo a esfera armilar no centro do grande rectângulo verde. Bonito, mais elegante e mais moderno do que as duas metades verde e vermelha, que têm algo (sem ofensa) de terceiro-mundistas.
Está nomeada uma comissão para planear as comemorações. Ainda faltam dois anos. Temos poetas e artistas inspirados e talentosos. Não seria uma heresia imperdoável promover o alindamento dos símbolos republicanos. Pelo contrário, parece-me dificilmente perdoável desperdiçar uma oportunidade única de começar o segundo século com símbolos modernos.”
Fonte: JN
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